Posts Tagged ‘Luiz Bras’

David Copperfield e Serendpt na Balada Literária

20 de novembro de 2014

São Paulo com a Balada Literária realizada por Marcelino Freire e eu agora lendo e pensando em David Copperfield, um amigo de sempre que eu conhecia só de ouvir falar, ainda não tinha lido, pelo menos não me lembro de ter lido, talvez.

Tudo está só começando (a Balada) e amanhã vou à Livraria da Vila na Fradique assistir a uma ou mais mesas, quero ver o Evandro Affonso Ferreira ( o último romance é Os piores dias de minha vida foram todos, da Record ). Até li a biografia do Plínio Marcos para entender melhor Plínio Marcos, que eu não conheço muito bem (Bendito Maldito, de Oswaldo Mendes, da Leya). Marcelino Freire une, na Balada,  literatura e teatro, faz homenagens a Zé Celso e ao Teatro Oficina, cria oportunidades para o canto e a fala.
A programação da Balada está aqui: http:/www.baladaliteraria.com.br.
E eu lendo David Copperfield, uma parte em inglês e outra em português.  A edição da Cosac é linda, mas o livro muito pesado, então baixei no Kindle e leio digital, levo o leitor pra lá e pra cá. Teve uma parte muito triste, antes dele ir para o colégio interno, essa parte eu li em inglês, ainda bem. Se tivesse lido em português teria ficado muito mais revoltada. É muito triste quando os pais mudam com os filhos, e a mãe de David, Clara, mudou muito depois do casamento. Ela virou outra pessoa. Ainda bem que li em inglês, consegui um distanciamento. Aí cheguei em casa e fui atrás do livro em português pra ver se eu tinha entendido bem aquela tristeza toda. E eu tinha entendido. Mais triste do que eu pensava.

Hoje, no fim da tarde, fui ao lançamento do romance do Luiz Bras, Distrito Federal, publicado pela Patuá. Ficou  muito bonito. Capa dura, ilustrações de Teo Adorno, estou com a maior vontade de ler. Você pode ler mais sobre o livro aqui:  http://luizbras.wordpress.com.

Aliás, o Luiz fala na Casa das Rosas domingo, dia 23, junto com Claudio Willer, Ricardo Lísias e Marcelo Tápia. (http://www.casadasrosas.org.br/agenda/simpoesia-2014-o-escritor-como-professor-).

Mas a Balada Literária termina dia 23 e domingo será lançado nosso Serendpt (Livrus). Participo do Coletivo Literário Martelinho de Ouro (tá no facebook.com) e acabamos de publicar o segundo livro de contos (o primeiro é Achados e perdidos (RDG), agora em formato digital, e-galáxia).

Tenho três contos em Serendpt, “Lagarto”, “O escritório” e “Gordurinhas excedentes”. Os contos foram escritos durante Laboratório coordenado pelo Ronaldo Bressane no B_arco. Gosto desses contos, acho que são perspicazes e divertidos. Levei para o Martelinho e minhas companheiras também gostaram. Nosso livro ficou coerente e bonito. A organização é de Regina Junqueira e o projeto gráfico e a capa são de Cida Junqueira.

Voltando a David Copperfield, por que Dickens é tão importante?

Máquina Macunaíma, de Luiz Bras

11 de julho de 2013

maquinajpeg

“Geração 90: manuscritos de computador” (Boitempo, 2001), organizado por Nelson de Oliveira, é um clássico – ou uma referência. Traz contos de autores destacados em fase da literatura brasileira – e universal- que compreende o tempo da tecnologia e da informação (e da TV).

Nelson de Oliveira reuniu contos de Marçal Aquino, Amilcar Bettega Barbosa, Fernando Bonassi, João Carrascoza, Sérgio Fantini, Rubens Figueiredo, Marcelino Freire, Altair Martins, João Batista Melo, Marcelo Mirisola, Cíntia Moscovich, Jorge Pieiro, Mauro Pinheiro, Carlos Ribeiro, Luiz Ruffato, Pedro Salgueiro, Cadão Volpato.

Ele mesmo, organizador do livro e da ideia que o particulariza, não se incluiu entre os autores.
Se, naquela época, o organizador do livro era Nelson de Oliveira, agora ele é também Luiz Bras, autor de “Sozinho no deserto extremo” (Prumo, 2012) e de “Máquina Macunaíma” (Edição do Autor, 2013), entre outros muitos livros.

A apresentação que Luiz Bras escreveu em 2001 para “Geração 90: manuscritos de computador” tem título que não poderia ser mais profético: “Contistas do fim do mundo”.

Hoje, ele publica “Máquina Macunaíma”, livro de contos com tiragem de cinqüenta exemplares (com trema, mesmo, porque os textos estão revisados parcialmente segundo o novo acordo ortográfico e essa advertência é feita logo no início, com dois vivas: ao trema e ao acento agudo no pára).

Máquina Macunaíma traz os contos do fim do mundo de Luiz Bras.

A edição do autor é super bem acabada, a capa é verde e amarela e cheia de símbolos gráficos, matemáticos, científicos (capa de Teo Adorno e Teresa Yamashita).

Os contos falam, ficcionando, de máscaras sociais, superglobalização, cidades sencientes, fanatismo religioso, distúrbios urbanos, conflitos conjugais, cyberpunk, mergulhos subjetivos, engenharia genética, indústria cultural, ciborgues, inteligência artificial, psicopatas e sociopatas, implantes neurológicos, viagens no tempo, países imaginários, steampunk, guerra dos sexos, física quântica, aliens e tudo o mais que você possa imaginar.

Luiz Bras, com o novo livro, que ele mesmo editou, como quis, segundo suas próprias regras, caminhou para além da visão e da razão e afastou – pelo menos aqui e agora – as possibilidades da impressão em massa. A tecnologia foi usada para alcançar a edição precisa e exata.

Os contos são: Virtuais, Heidegger não voltará jamais, Onde vivem os monstros, Impostor?, Mecanismos precários, O índio no abismo do eu, Coisas que a gente não vê todo dia, Humana, demasiado humana, Distrito Federal, Os olhos do gato, Galáxias, Primeiro de Abril: Corpus Christi.

Algumas frases são geniais:

“Onde estará o desintegrador de almas? Com quem estará?” (Heidegger não voltará jamais).
Tem outro parágrafo que eu acho muito bom: “O idioma falado também não importa muito. Mesmo se ela for japonesa, indiana, queniana, alemã ou argentina e mesmo se ele for australiano, chinês, egípcio, francês ou mexicano, para o propósito desta narrativa os dois falarão português” (Mecanismos precários).

A frase diz algo que eu li assim (a leitura é sempre muito pessoal): as línguas importam muito pouco, cada vez mais entramos em um mesmo discurso. É claro que sempre haverá as diferenças todas, mas há um plano com mesmos códigos: a internet.

No mesmo conto, os personagens surpreendem-se personagens. Ela pergunta: “Você planeja nos matar?” A resposta: “Infelizmente sim. Porém farei de um jeito que todos pensam que foram vocês que se mataram. Como eu disse, movidos pelo ciúme e pelo rancor. É mais interessante assim” (Mecanismos precários).

O conto que eu mais gosto é o último: “Primeiro de Abril: Corpus Christi”.

Nele está: “Esmiucei as últimas horas de vida de meus mortos prediletos: encarnei a Mulher-Maravilha, o gato de Botas, o Chapeleiro Louco, o Homem de Lata, todos eles. recuperei suas inquietações, suas dúvidas. Seu desespero. Suas palavras derradeiras. Morreram em combate.”

E continua. Não vou contar o fim. É literatura.

E ainda há um parênteses que tudo subverte:

(Também dizem que o Homem de Lata nunca foi encontrado).

Entrevistas com escritores

13 de março de 2013

Conversas entre escritores (Arte & Letra Editora, Curitiba, 2009), reúne 21 entrevistas publicadas na revista Believer. Escritores entrevistam escritores.
Sobre a conversa entre Sean Wisley e Haruki Murakami- O entrevistado é Murakami, mas é bom saber um pouco sobre Sean Wisley e fiz breve pesquisa no Google, porque nunca tinha ouvido falar dele. Descobri que escreveu um livro, Oh the glory of it all, que fala sobre sua família de certa importância em São Francisco. Parece que o livro é divertido. Segundo a Wikipedia, ele nasceu em 1970 e escreveu outro livro com Matt Weiland, chamado State by state: a panoramic view of America.
Haruki Murakami é escritor japonês que faz o maior sucesso, é muito contemporâneo. Já li, dele, Minha querida Sputnik, Do que eu falo quando falo de corrida e estou lendo, agora, Norwegian Wood. Seus personagens são jovens e todos assustados, perplexos. Vivem meio que no ar, tentando encontrar equilíbrio. Resumindo: 1)- Opiniões do escritor são diferentes das opiniões pessoais do autor sobre política ou qualquer outro assunto: é preciso ter cuidado ao emiti-las; 2)- Mulheres são condutoras de suas narrativas; 3)- A música é importante para ele; 4)- Gosta de procurar lojas de discos usados; 5)- Ele teve um bar de jazz por muito tempo; 6)- Humor é caminho para seriedade.
Recentemente, Murakami publicou, no Brasil, 1Q84. Ainda não li, mas está aqui perto e logo começo.
Murakami não diz muito, como era de se esperar. Ele é do tipo que vive nas histórias e, provavelmente, quando é ele mesmo, não gosta de falar com estranhos. Ele mesmo esclarece, no começo da entrevista, que não costuma responder às perguntas da mídia. E diz: “É assustador pensar que de muitas maneiras nós enxergamos o mundo através da mídia e nos comunicamos usando o vocabulário da mídia” (p. 160).
Sobre conversa entre Jonathan Lethem e Paul Auster- Também não conheço o primeiro. A entrevista aconteceu em 2004. No preâmbulo, lembra-se que Paul Auster foi poeta ( A Companhia das Letras acaba de lançar livro com seus poemas). A prosa de Paul Auster é instigante e envolvente porque ele escreve sobre o ato de escrever, sobre individualidade e sobre os diversos papéis representados no contexto social, não se esquecendo da importância da fantasia e do fantástico em tudo isso.
Jonathan Lethem é romancista americano e a Wikepedia traz inúmeras informações sobre ele. Seu texto mistura ficção científica e histórias com detetives. Gostaria de desenvolver esses gêneros na minha ficção, para mim o mundo não passa de um enorme ponto de interrogação sobre acontecimentos relativamente fantásticos e, às vezes, fantasmagóricos. Talvez haja monstros por toda parte e é preciso detectá-los antes que ataquem. Mas Paul Auster conta o seguinte: 1)- Tem um escritório perto de casa; 2)- Cuida de burocracias, como pagar contas, por exemplo; 3)- Gosta de trabalhar todos os dias; 4)- Escreveu roteiro de O Mistério de Lulu para Wim Wenders, que no fim não dirigiu o filme. Paul Auster assumiu o trabalho; 5)- O que mais me interessou, na entrevista, foi: “Ao longo dos anos, tenho me interessado intensamente pela artificialidade dos livros. Quero dizer, afinal de contas, quem está brincando com quem, Sabemos que, ao abrir um livro de ficção, estamos lendo algo que é imaginário. E sempre tive interesse em explorar esse fato, usá-lo, torná-lo parte da obra. Não de uma forma seca, acadêmica, ou metaficcional, mas simplesmente como uma parte orgânica da palavra escrita Quando eu era criança, pegava um romance escrito na terceira pessoa e perguntava a mim mesmo:”Quem está falando? Quem estou ouvindo aqui? Quem está contando esta história?” Posso ver um nome na capa, que diz Ernest Hemingway ou Tolstoi, mas é de fato Tolstoi ou Hemingway que estão falando?” (p. 32).
Aqui ele toca em um ponto que para mim é essencial: quem fala na ficção? Qual a diferença entre o escritor e o narrador? Como fazer com que o narrador seja completamente outro?
Pensando nisso, por coincidência, agora há pouco, li uma entrevista do escritor Luiz Bras no blogue Estudos Lusófonos: http://etudeslusophonesparis4.blogspot.fr/2013/03/luiz-bras-entra-em-cena.html.
Autor do ótimo Sozinho no deserto extremo (Prumo, 2012), Luiz Bras é um dos escritores mais destacados da literatura brasileira contemporânea. Lendo a entrevista, só posso concluir que a questão de quem fala talvez não deva ser respondida. O essencial, talvez, seja descobrir e concretizar, no texto, a voz imaginária de uma identidade que é inominável, como disse, um dia Beckett, e não sei nem se nesse preciso contexto. De qualquer forma, o escritor é quem melhor se explica: “Luiz Bras sempre morou no terceiro planeta do sistema solar. Com os gatos aprendeu a acreditar em telepatia e universos paralelos”.
No fim, percebo que Haruki Murakami, Paul Auster e Luiz Bras, em tempos e lugares diferentes, falaram a mesma coisa. Pelo menos foi como ouvi; e outras leituras são, certamente, possíveis.

Sobre oficinas de escrita criativa

16 de fevereiro de 2013

livros

Escrevia diários, desabafos, cartas, inícios de contos, reflexões. Modo de organizar ideias.

De uns dez anos pra cá, exercito o impulso de escrever ficção. Imagino cenas.

E procuro meus leitores. Amigos e parentes são leitores exigentes. Leem a pessoa e não o texto, ou a pessoa + o texto. Às vezes são generosos. Interpretam o escrito a partir do nosso contexto pessoal. Quando um amigo gosta do que a gente escreve é maravilhoso. Pode acontecer que não, e ninguém tem culpa disso. Pode acontecer que o texto precise ser melhorado, mesmo, e daí?

Quando o texto ganha o próprio espaço, quando  se liberta do autor, aparece a literatura.

Acabei encontrando uma professora que passou a ler  meus escritos de uma maneira mais profissional, com  distanciamento: Malu Zoega. Foi uma fase legal, em que me afastei de mim e pude inventar. Lemos autores brasileiros com atenção de escritor e não só para desfrutar. Porque uma coisa é  ler por puro prazer e outra é ler decifrando.

Aí criei coragem e me inscrevi em uma oficina de escrita criativa. Procurando leitores desconhecidos. Escolhi o b_arco (barco.art.br), com  Marcelino Freire (autor de , “Balé ralé”, “Amar é crime”, “Contos negreiros”, “Angu de sangue”).  Marcelino capta, exatamente, o que está nos textos que lemos para o grupo em voz alta – e o que não está, também. Não basta escrever. Precisamos  ler os próprios escritos com atitude,  como se fôssemos o outro, para os outros.

Quem lê alto? (outro dia encontrei um programa de computador que é leitor automático, robótico. A gente ilumina o texto e ele lê, com voz feminina ou masculina, dá pra escolher. Meio esquisito, sempre esqueço de pegar o CD do programa).

Acho que já fiz três módulos da oficina de Marcelino e, no último, tive o maior prazer de ter aulas, também, com Luiz Bras, cuja literatura é instigante e contemporânea. Luiz não só escreve ficção (publicou, entre outros, “Sozinho no deserto extremo”) como escreve sobre a ficção (http://rascunho.gazetadopovo.com.br/tipoautor/colunista).  Escreve muito,  sabe muito.

Fiz, também, um módulo na Oficina de Escrita Criativa, em um andar bem alto do Edifício Itália, em jornalismo literário, com o jornalista Ivan Marsiglia. Lemos e conversamos sobre  Hunter Thompson, Matinas Suzuki, Truman Capote, Gay Talese, Norman Mailer, Christian Cruz e sobre  textos do próprio Ivan, super jornalista- escritor. Escrevi o Perfil de Dylan, publicado aqui, durante o curso.

Vi que dá pra escrever sobre realidade de um jeito pessoal; aprendi a brincar com a escrita na primeira pessoa, a pular para a terceira sem perder a coerência. No livro “A luta”, de Norman Mailer (Cosac Naify), ele às vezes se coloca na história como um terceiro. Refere-se a ele mesmo como Norman. É divertido.

Agora, no início do ano, fiz outro curso no b_arco: “Autobiografia, fabulação e humor”, com Newton Cannito e Eduardo Benaim.  Já sabia, mas tinha só a intuição, não a técnica, que ficção se escreve a partir da própria vida transformada, virada do avesso. É legal fazer os outros darem risada. Onde está escrito que ler é o melhor remédio?

É claro que quem escreve, escreve, e não precisa fazer oficina para escrever. Cada escritor é um escritor, não adianta. E cada leitor é um leitor, escreve mentalmente a história que lê. Imaginação é assim.

Mas, ouvindo o profissional que coordena a oficina, ouvindo o outro, dá pra perceber que há semelhantes no mundo, e fica mais fácil encontrar a persistência necessária para que o texto siga seu caminho até o ponto final. Efeitos do diálogo.

Às vezes a gente se complica nos grupos; nem sempre os ouvintes gostam do nosso texto, nem sempre compreendem, nem sempre nos fazemos entender. Mas, pelo menos,  estamos em um espaço  de discussão interessada. É bom estar em um grupo. Mas é bom silenciar, também. Dependendo do tempo. E da chuva.

Quem nunca se sentiu sozinho no deserto extremo?

5 de setembro de 2012

Livros ardem. Davi acorda. Não tem ninguém. Só as coisas. Os DVDs, fogos de artifício, os lugares, existem. A Avenida Paulista existe.  As pessoas, não. Só as roupas ficaram. Mas ele nunca gostou das pessoas, mesmo. Com exceção de Vivian, eu acho.

Outros  sobreviveram, espalhados: um bebê, um prisioneiro político na China, uma passageira em um avião, uma maníaco-depressiva em Nova York, um pesquisador na Antártida.

E ele, Davi. Um homem comum. Sem qualidades.

Davi e os personagens de seus livros. Mas ele ainda pode ver as pessoas em DVD. E a certa altura, ele diz: “A verdade é que não existe arte quando há apenas uma pessoa no mundo. Sem interlocução não existe poesia. Todos os filmes que Davi assistiu, até mesmo as produções mais requintadas, dirigidas com maestria, perderam o poder de transfigurar. Kurosawa, Bergman, Wenders…” (p. 101).

Faz tempo eu penso sobre isso, sobre a existência da arte. Essa é só uma das indagações que o livro de Luiz Bras (http://luizbras.wordpress.com) , “Sozinho no deserto extremo”, publicado pela  Prumo, suscita. A gente lê o livro junto com as lembranças de Kafka, Canetti, Musil, Nietzsche. Nietzsche e o eterno retorno.

Uma das primeiras lembranças que eu tenho de meu pensamento era um exercício de imaginação que me dava aflição: e se nada existir, nem mesmo eu? Meu pensar surgiu a partir da ideia do nada. Para Davi, ainda sobrou ele mesmo. E a pergunta inversa é: será que ele existe, sem os outros?

Onde está o deserto extremo?

Deserto extremo?

O deserto é aqui.

( livros ardem)