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Natal em Nova York

10 de janeiro de 2023

Um Natal entre obras de Hopper, esculturas romanas coloridas, trabalhos preferidos de Monet e Van Gogh, árvores de Natal do Metropolitan, do Rockfeller Center, um Natal só com minha filha, meu filho do outro lado da linha telefônica, esse ano saí do Brasil.

O frio é frio mesmo, não nevou como eu queria, só chuviscos de neve, teve muito sol.

Minha irmã e eu fomos concebidas nessa época porque nascemos 26 de setembro. Hoje, 26 de dezembro, é o aniversário de nossa mãe Ana Maria.

Natal pra mim é uma época que eu tenho vontade de pular, dar um salto. Desďe que minha mãe morreu é assim. Esse ano ainda bem que eu não senti essa sensação de estar em trânsito. Tinha tanto trabalho pra fazer que mal percebi os poucos enfeites na rua e nas avenidas em São Paulo. A data da viagem se aproximava e eu pensava se dessa vez embarcaríamos: a viagem tinha sido adiada duas vezes por causa da Covid.

Só que dessa vez nada acontecia no meio do caminho. Estava tudo certo. Nenhum desvio, Nova York e seu frio nos esperavam. Esse ano desmarquei muitas viagens e essa, parece, aconteceria. A do ano novo, pra Salvador, eu desmarquei.

O frio em Nova York não foi tanto. Nos Estados Unidos foi. Tudo virou gelo e pessoas morreram. Na cidade o sol estava maravilhoso, radiante e, depois, choveu, mas não houve nevasca. Vimos paisagens coloridas, quadrados dourados de sol refletidos nas ruas, nos prédios, em todos os lugares. E caminhávamos rápido porque todo mundo anda rápido. Ainda estou aqui. Agora no avião, esperando a decolagem. Escrevo aos poucos.

Pra quê andar rápido? É a regra. Por favor, eu pensava, vamos devagar. Eu precisava respirar. Mas eu não falava isso, eu pensava.

Eu atravesso a rua devagar, ando devagar, vejo as coisas devagar. Porque eu quero. Eu prefiro. Não me contamino pelo jeito frenético deles aqui. Como há turistas por aqui.

E as costas doeram por um tombo que tomei na cozinha antes de vir. Ainda doem, mas menos. Lá recomendaram-me um remédio na farmácia e uma placa ou algo assim, com mentol. E fui melhorando.

Adorei as estátuas romanas coloridas do Metropolitan. Adorei passar o Natal com minha filha no Blue Note. Adorei ver as pinturas de Hopper no Whitney. Adorei ver Barbara Kruger no Moma. E Klimt na Neue Galerie. Na Neue Galerie há uma exposição dos objetos usados no filme Casablanca, que Lauder ama. Os passaportes, a mesa, as taças, os cartazes. Tantos encantos.


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