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Nova York (2)

1 de agosto de 2012

The  New York  Palace.

Por que esse hotel?

Porque foi bem avaliado no booking.com,  no tripadvisor.com e  outros semelhantes. Apresentado como hotel de luxo, estava  com preço bem razoável. E parecia impessoal.  E neutro. E me impressionei com as fotografias da sala de ginástica. E bem localizado, na Madison.

Perto da  5ª Avenida,  em frente à  Saint Patrick Church.  Reservamos apartamento em um andar   alto.

Foi bem melhor do que o esperado. O lobby é espaçoso, bom lugar para ouvir música, olhar as pessoas indo e vindo, concentradas em seus computadores. É isso que todos fazem por aqui e no mundo todo: olham telas de notebooks, Ipads, Iphones, Itouchs.

A sala de ginástica do Palace fica em um tipo de SPA, no 8º andar. É grande e há muitas esteiras, muitos transports, equipamentos para musculação consistentes e bem conservados. Os vestiários têm chuveiros fortes, toalhas e roupões brancos. Parece que há uma sauna. Que não experimentei. E muitas maçãs vermelhas estão oferecidas, para antes  ou depois do treino, ou da sauna, ou da massagem.

O serviço de concierge se destacou. Indica e reserva restaurantes, espetáculos, shows. As pessoas que trabalham ali são  bem informadas, telefonam prontamente aos lugares para saber mais; dá tudo certo e ninguém fica perdido. Quando concluída qualquer reserva, eles imprimem e aí a gente vai direitinho. E o que é melhor, quem reserva é o The  New York Palace  e as portas se abrem com  facilidade. Até ao  Public,  brunch de sábado sempre lotado, conseguimos ir.

Restaurantes legais: Fig & Olive (figos adocicados em saladas e pratos quentes), Aquavit Dining Room,  Balthazar (todo mundo indica), Bar Pitti (Village), Katz’s Delicatessen  (sandwich de pastrami, lugar confuso e popular, Harry e Sally se encontraram por lá). Que mais…

O Balthazar é bem recomendado e não mais caro que os outros. É informal,  principalmente na hora do almoço, ou à tarde. Fica  aberto a tarde toda.  Ouve-se jazz, lá.

Falando em jazz, fomos ao Blue Note ouvir Latin Side of Joe Henderson, por Conrad  Herwig, Ronnie Cuber & Joe Lovano. Nunca tinha ido ao Blue Note e poderia ter escolhido o Village Vanguard ou o Birdland. Quis ver o Blue Note, tenho muitos discos de vinil gravados lá. Comi lá uma  salada gostosa, antes do show. Sentamos em uma mesa grudada no palco e nunca vi músicos tocarem tão perto de mim. As mesas são compartilhadas, logo chegou um rapaz solitário e se sentou na nossa. Comeu um filé e tomou uma cerveja. E ficou no Iphone enquanto o show não começava. Ninguém mais fica sozinho hoje em dia. Aliás, vi pelo menos duas pessoas lendo livros de verdade, em Cafés. Mas só vi uma livraria.

Fomos ao High Line e depois ao Chelsea Market, Lobster Place.  High Line é um jardim suspenso plantado  em uma passarela elevada. Há galerias de arte nas ruas e o lugar ficou  na moda.  No mercado, sashimi, sushi e lagosta. Barato.  Bom. É um pouco confuso porque no mercado não há  janelas, é difícil encontrar lugar para sentar. Com paciência,  a coisa funciona e no fim compensa. Andamos à tarde às  margens do Hudson. Sol, moças de biquini, lendo. Casais dançando tango. Domingo é domingo em qualquer lugar.

Fomos ao Museu de História Natural. Lotado. Esqueletos de dinossauro para tudo quanto é lado. Não entendi bem se eram verdadeiros ou falsos. Ignorância minha, mas é que, embora o museu seja, sem dúvida, bacana, muita coisa é representação e não real, e aí fiquei  um pouco confusa. Na Patagônia os dinos são mais verdadeiros. Assistimos a um filme breve no planetário. Não posso ir a planetário que durmo. Cochilei um pouco. Acho essa história de big bang interessante, só que não fico muito envolvida. Já sei que sou, mesmo,  uma partícula do nada, a via láctea não me atrai tanto. Preciso me sentir importante.

Passando pelo Lincoln Center, resolvemos comprar ingresso para um espetáculo. Escolhemos War Horse. Embora muito premiado, é um pouco chato. Escolhemos esse porque era um musical e podia ser compreendido por toda a turma. Meu pessoal tem idades diferentes, nem sempre dava para conciliar interesses e possibilidades.

No Metropolitan,  um dos museus mais lindos do mundo, vimos muita coisa do Egito antigo. Ficamos um tempão  nessa parte e acabamos perdendo alguma coisa, porque ficar mais de 6 horas em qualquer lugar é desesperador.

Lá  está um Monet que eu amo, Regatta at Sainte – Adresse                                (http://www.metmuseum.org/Collections/search-the-collections/110001584).

Vi em 1997 e ainda bem que ele não entrou para a reserva técnica. Estava do mesmo jeito, até mais bonito.  Não sei por que não consigo me apaixonar por outros  trabalhos,  gosto de ver e rever os mesmos. Identificação. Familiaridade (tomávamos café da manhã no café Europa todos os dias e depois me lembraram  que as pessoas que atendiam falavam espanhol).

Andy Warhol, Nine Jackies, no Metropolitan (http://www.metmuseum.org/Collections/search-the-collections/210013901. O  rosto de Jackie minutos antes de ele ser assassinado.

Essa palavra, instante, define tudo. O tempo passa e é preenchido por inúmeros fragmentos de felicidade, de horror, de nada.

Em um momento estamos em viagem, na viagem, e depois ficamos com as lembranças esfumaçadas e os recibos de cartões de crédito e ingressos utilizados e folhetos, muitos folhetos. E fotografias.

Um click. O tempo para nesse click. Um click na entrada da Tiffany, um click ao lado de um Monet, de uma dançarina de Degas, uma figura magra de Giacometti. E depois estamos em casa.

Quando viajamos, levamos os guias, as sugestões de diversas pessoas. Algumas recomendações combinam com a gente, outras não. Isso só se descobre experimentando. Eu tinha listas de três amigos diferentes, mas perdi no aeroporto. Recuperei alguma coisa, não tudo. Tinha memorizado outras dicas e já sabia os lugares que queria rever, dos quais tinha gostado na primeira vez em que fui a Nova York, em 1997.  E há os lugares de sempre.

Muito de uma viagem é o que não se vê. O que se imagina. Os guias nunca são suficientes. Por isso não leio quase nada antes de chegar a um lugar. Mas gosto de escrever, depois, para organizar  a memória, registrar, construir uma narrativa. Com palavras.

Por último, neste post, quero dizer que vi um pedaço do Muro de Berlim em Nova York, na rua. Fiquei surpresa e, procurando, encontrei, na Wikipedia, a relação das cidades que receberam fragmentos do muro. Em Nova York há três, um deles este  que vi.

Nova York

27 de julho de 2012

Dez dias em Nova York. Hoje vou ao Blue Note assistir Joe Lovano. A cidade no verão é bem quente, mas não está tão quente. Fui ao Metropolitan, ao MoMa, ao New Museum, ao Whitney Museum. Queria ver as cenas do Edo de Hiroshige no Brooklyn Museum, mas não estão expostas. Muito de uma viagem é o que a gente quer ver e não consegue. As expectativas. Agora estou na loja NBC no Rockfeller Center. O imaginário de cada um. Quem se identifica com House, Simpsons, Dr. Who, fica horas. Não me identifico com ninguém. House até já acabou.

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