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Romance policial (3)

24 de setembro de 2014

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Há vários tipos de romance policial. Raymond Chandler, Agatha Christie, Patricia Highsmith, Patricia Cornwell, Simenon, são autores completamente diferentes um do outro. A  identidade entre eles é a interrogação em torno de um crime. Lawrence Block, Tony Bellotto, Raphael Montes, cada um tem um jeito de mostrar quem matou quem. E esse estilo de contar mostra  a concepção de mundo do escritor e de seu tempo.

Luiz Bras escreveu no Guia da Folha um artigo legal na Folha sobre literatura policial, publicado em seu blog: “Crimes que compensam” (http://luizbras.wordpress.com/category/resenha/).

Para mim, no romance policial,  o detetive, é o mais importante. Não tenho interesse no crime. O romance policial começa pelo fim da história: alguém morreu. E o detetive se volta para o passado. Ele precisa ser simpático, senão o leitor não acompanha a volta no tempo.  Kay Scarpetta,   Marlowe,  Poirot,  Maigret, outros tantos, são pessoas com as quais se pode identificar. O curioso é saber como eles fazem as perguntas, como pensam, como se relacionam com as pessoas, como encontram tempo e espaço para perguntar. O curioso é ver que erros cometem – e cometem vários, nenhum deles é perfeito. Um dos detetives de Lawrence Block, por exemplo, é ladrão: Bernard Rhodenbarr. Mas ele tem uma livraria, e por isso está desculpado.

Encontrei na internet (banco de teses da USP) trabalho acadêmico  de Raquel Vieira Parrine Sant’Ana: “Contradições do detetive: a literatura policial como problema para a teoria literária em obras de Machado de Assis, Jorge Luis Borges e Roberto Bolaño”.

Ela discorre com clareza sobre as interrogações possíveis do romance, compara Machado de Assis a Borges e Bolaño e diz, no fim, que o detetive nunca volta para casa, nunca está satisfeito com seu trabalho: ele continua a buscar o segredo, ainda que de outros crimes.

“Os detetives selvagens”, de Roberto Bolaño, é um policial mais amplo e mais complexo. Bolaño se arrisca mais,  não segue fórmulas, não preenche vazios. Li uma entrevista (livro digital especificado na fotografia que segue, Kobo) em que ele revela a vontade de ter sido um detetive (de homicídios), teria preferido esse ao ofício de escritor. E em outro trecho  diz, então comentando 2666, que ser um escritor é tão perigoso quanto ser um detetive: “Being a writer in this world is as dangerous as being a detective, walking through a graveyard, looking at ghosts” (li em inglês).

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Andei lendo bastante sobre o romance policial. Escrevi um, “Nove tiros em Chef Lidu”, que será publicado em breve pela Editora Circuito. A vítima, Chef  Lidu, era chefe de cozinha de um restaurante francês. Mas ele estava de dieta e com vontade de diversificar o cardápio. Foi baleado no meio dessa mudança de vida.

O narrador é o Elvis, escrivão de polícia novo, que acompanha o Dr. Magreza na investigação. A inocência do narrador contrasta com a experiência do detetive e a combinação entre os dois resultou em uma história divertida de escrever.

Em meio a pudins de coco e sopa de tomates, Chef Lidu encontrou um desafeto que atirou para matar.

Logo o livro vai sair. Aviso vocês.


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