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Notas sobre o que vejo

19 de outubro de 2017

Quando viajo gosto de fixar algumas impressões, isso me ajuda a memorizar e pensar sobre como o que vi  transforma a minha vida. Todos os descolamentos mudam alguma coisa dentro da gente.

1)- Não fui à Feira do Livro de Frankfurt, mas fui a Frankfurt e claro que pensei nos livros. Cidade bonita, rio lindo, museu do cinema super legal. Vi lá, no Museu do cinema,  uma exposição em que quatro telas mostram simultaneamente cenas de filmes diferentes, de épocas diferentes, mas que usam os mesmos recursos de narração. Cenas de mais ou menos 100 filmes são reunidas sob quatro temas principais: imagem, som, edição e ação. É bacana ver que em muitos filmes há pessoas batendo nas coisas e brigando, artistas saindo do avião e acenando para o público antes de descer a escada, incidentes que movem a história. Segue link:  http://deutsches-filminstitut.de/en/filmmuseum/permanent-exhibition/.

Aqui em São Paulo, no Instituto Moreira Salles, vi  videoinstalação parecida, mas também diferente. É The Clock, de Christian Marclay. Cenas de filmes em que o relógio e o tempo surgem  são unidas e mostradas por muito tempo. Em  publicação sobre The clock  há uma entrevista com Christian Marclay. Ele  fala que os assentos (sofás) são confortáveis para que a pessoa assista por quanto  quiser e lide com o próprio tempo. Não fiquei muito. Pensar no tempo e no relógio me deixa nervosa.

As propostas das instalações  de Frankfurt e do IMS, embora trabalhem com edição de imagens, são diferentes. A primeira mostra como as histórias são feitas, quais os principais recursos da linguagem cinematográfica. A segunda mostra a marcação do tempo nas histórias, provocando outras impressões.

2)- Vi ainda, no Museu do cinema em Frankfurt, o tambor do filme “O tambor” (Vorker Schlönderff), o diário de Wim Wenders, anotações de uma atriz alemã que gosto muito, Martina Gedeck.

 

3)- Em Viena visitei a casa de Sigmund Freud (Berggasse, 19). Impressionante. Lá ele atendeu seus primeiros pacientes. A entrada e as salas continuam idênticas e a sala de espera foi reconstituída;

 

4)- Também conheci Budapeste. Pela primeira vez estive em um país onde não entendo o que se fala e o que se escreve. Pude admirar sem precisar tentar compreender tudo;

5)-Por último, vi as árvores do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Não há como descrever tanta beleza. Aqui está o Chafariz das musas.

No Rio de Janeiro eu vi jogos, o Abaporu, Urutu, a imperatriz Leopoldina, desenhos de Debret e uma mesa fora do lugar

7 de setembro de 2016

Estive no Rio para ver um pouco das Olimpíadas e acabei vendo outras maravilhas. Vi alguns jogos, mas o que me impressionou, mesmo, foram as visitas a museus que eu não conhecia: Museu de Arte do Rio e Museu de Arte Moderna.

O primeiro museu de arte que visitei foi o MASP. Minha mãe (Ana Maria, sobre quem já escrevi aqui, no post  Perfil de Ana) fez questão de nos trazer em um domingo, nós morávamos em Santos. Fomos ao MASP e depois almoçamos em um restaurante que não existe mais, no Supermercado Eldorado, na Pamplona. Era um restaurante chique e o lustre era enorme, cheio de pedras brilhantes. Era ou dia dos pais ou aniversário de meu pai. Minha mãe colecionava fascículos sobre pintura.

Gosto de fotografar as explicações e legendas nos museus. Fotografo alguns trabalhos também, tentando levar para casa a primeira impressão, para não esquecer.  Não sei se minha mãe, hoje, entraria em um museu com uma máquina fotográfica. Não sei o que ela acharia disso. Não resisto e fotografo.

No Museu de Arte do Rio vi o Abaporu, de Tarsila do Amaral. Achei maravilhoso ter visto em casa, porque ele vive no MALBA, em Buenos Aires, e, quando quis ver, lá, não consegui: o museu estava em reforma.

abaporu

 

No MAR está também uma exposição bacana sobre a Imperatriz Leopoldina, que veio da Áustria para ficar com D. Pedro I. Eles se casaram por procuração, ela lá e ele aqui no Brasil. Ela navegou muito para chegar aqui e teve papel importante na nossa história, principalmente na independência. Morreu muito cedo, com 29 anos. Vi, no MAR, um caderninho dela, denominado “Mes résolutions”. Li depois, em “A biografia íntima de Leopoldina”, de Marsilio Cassotti (Planeta), que o caderno foi escrito por sua preceptora. Correspondia, no entanto, às suas próprias resoluções.

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Leopoldina foi muito importante para independência.

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*****

O Museu de Arte Moderna mereceria um livro de anotações.  Eu me senti muito bem lá, fiquei muitas horas. Os espaços são largos, é possível ver tudo várias vezes sem a menor pressa. Gostei muito de um trabalho de Tarsila chamado Urutu. Li, depois,  sobre esse maravilhoso trabalho: “Seu tema é a lenda amazônica da Cobra Grande, mesma referência tomada por Raul Bopp para seu poema antropofágico “Cobra Norato”, de 1931. De acordo com a lenda, um encantamento transformou um rapaz em cobra, e ele só voltaria a sua forma original se a cobra fosse ferida na cabeça e morta. Raul Bopp, admirador de Tarsila, dedicou a ela seu poema” ( Tarsila do Amaral- Coleção “Folha-Grandes pintores brasileiros”, p. 76).

 

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Também adorei essa trabalho de José Bechara, A casa pintada. É que tenho um conto chamado A mesa fora do lugar e me identifiquei:

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E o Rio de Janeiro (2)

30 de setembro de 2012

Aconteceu de estarmos no Rio de Janeiro na época do Festival de Cinema (http://2012.festivaldorio.com.br).
Aconteceu de assistirmos Elefante Branco, com Ricadro Darín, de Pablo Trapero, diretor de Abutres, também.
Não gostei de Abutres, muito pesado.
Elefante Branco é pesado, mas de um outro jeito, não tem só cenas fortes. Os diálogos são bons, os personagens são complexos, têm conflitos que a gente compreende bem. Gostei. Não conhecia o grupo de rock argentino Intoxicados. O filme termina com a música Las cosas que no se tocan. Dá pra assistir no youtube. Muito legal.
Darín representa um padre. Fazia tempo não ouvia falar de padres e no filme há dois muito interessantes. Ele mesmo representa o Padre Julián. E Rérémie Renier representa o Padre Nicolás. Ele é obstinado pelo trabalho no Elefante Branco, construção imensa em Buenos Aires ocupada por grupos de pessoas bastante sofridas. Há traficantes, rixas entre grupos do narcotráfico, aquele mundo cão que a gente sabe como é ou deveria saber. E os padres tentam ajudar a comunidade, interferem para que as pessoas morem melhor, para que verbas sejam liberadas, essas coisas. E fazem, fazem, e o resultado é quase nenhum. Mas provavelmente tudo seria muito pior se eles não estivessem lá. Nicolás gosta de ser padre, mas também gosta de ser homem e envolve-se com a assistente social (Martina Gusman). Esse envolvimento é um dos pontos interessantes do filme. Darín já é mais convicto do celibato e da vocação.
O outro filme a que assisti foi Smashed, americano. Dirigido por James Ponsoldt, conta a história de uma moça alcoólatra (Mary Elizabeth Winstead) que começa um programa de recuperação. O filme é sobre a resistência que ela encontra para se livrar da bebida. Tem problemas com casamento, emprego, tudo. É verdade que o filme passa a mensagem de que o alcoolismo é muito ruim e prejudica as pessoas. Mas o alcoolismo é mesmo muito ruim e prejudica as pessoas. Então o filme é realista.
O filme discute as dificuldades que a pessoa que quer parar um vício encontra, dificuldades que estão nela mesma e nos outros.
O triste é que, muitas vezes, a família e os amigos não querem que a pessoa mude.
Isso acontece com pessoas que usam drogas, com pessoas gordas que querem emagrecer, com qualquer tipo de mudança.
Assistimos também A Partilha, com Arlete Salles, Susana Vieira, Patrycia Travassos e Thereza Piffer. A peça é dirigida por Miguel Falabella, que também escreveu o roteiro. Termina dia 30 de setembro. Que bom que consegui ver. Ri bastante e até chorei um pouco, no final. Quando percebi, estava chorando.
Já passei por partilha semelhante e é assim, mesmo, no fim a gente briga por coisas de valor sentimental e não econômico. No fim de tudo, a grande questão é: e quem vai ficar com o joguinho do Toddy?
O Rio de janeiro continua lindo. Sol, mar bravo em Ipanema, Sushi Leblon é um excelente restaurante japonês. O Bar Lagoa continua o bar Lagoa, comi salsicha e salada de batata, muito bom. O Gula Gula é legal, as sobremesas são bem atraentes (brownie com sorvete?).
Na praia, cada um vive como quer, quem vende esfiha se veste de sheik, tem massagem na praia, todo mundo é campeão e abençoado.
Tem muita praia bacana pelo mundo, mas duvido que exista uma como a de Ipanema: gostosa e divertida. Até leitor de Dostoievski eu vi. E o biscoito Globo é muito bom, doce ou salgado. Tinha esquecido do biscoito Globo.
Passeando por Copacabana, passei pelo Largo do Poeta. Fotografei. Não sabia desse lugar, não conhecia esses dizeres do poeta (precisa clicar na foto para ler a carta), nada sabia sobre Rei Alberto. Foi assim, passando, que eu vi.


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