E o Rio de Janeiro (2)

Aconteceu de estarmos no Rio de Janeiro na época do Festival de Cinema (http://2012.festivaldorio.com.br).
Aconteceu de assistirmos Elefante Branco, com Ricadro Darín, de Pablo Trapero, diretor de Abutres, também.
Não gostei de Abutres, muito pesado.
Elefante Branco é pesado, mas de um outro jeito, não tem só cenas fortes. Os diálogos são bons, os personagens são complexos, têm conflitos que a gente compreende bem. Gostei. Não conhecia o grupo de rock argentino Intoxicados. O filme termina com a música Las cosas que no se tocan. Dá pra assistir no youtube. Muito legal.
Darín representa um padre. Fazia tempo não ouvia falar de padres e no filme há dois muito interessantes. Ele mesmo representa o Padre Julián. E Rérémie Renier representa o Padre Nicolás. Ele é obstinado pelo trabalho no Elefante Branco, construção imensa em Buenos Aires ocupada por grupos de pessoas bastante sofridas. Há traficantes, rixas entre grupos do narcotráfico, aquele mundo cão que a gente sabe como é ou deveria saber. E os padres tentam ajudar a comunidade, interferem para que as pessoas morem melhor, para que verbas sejam liberadas, essas coisas. E fazem, fazem, e o resultado é quase nenhum. Mas provavelmente tudo seria muito pior se eles não estivessem lá. Nicolás gosta de ser padre, mas também gosta de ser homem e envolve-se com a assistente social (Martina Gusman). Esse envolvimento é um dos pontos interessantes do filme. Darín já é mais convicto do celibato e da vocação.
O outro filme a que assisti foi Smashed, americano. Dirigido por James Ponsoldt, conta a história de uma moça alcoólatra (Mary Elizabeth Winstead) que começa um programa de recuperação. O filme é sobre a resistência que ela encontra para se livrar da bebida. Tem problemas com casamento, emprego, tudo. É verdade que o filme passa a mensagem de que o alcoolismo é muito ruim e prejudica as pessoas. Mas o alcoolismo é mesmo muito ruim e prejudica as pessoas. Então o filme é realista.
O filme discute as dificuldades que a pessoa que quer parar um vício encontra, dificuldades que estão nela mesma e nos outros.
O triste é que, muitas vezes, a família e os amigos não querem que a pessoa mude.
Isso acontece com pessoas que usam drogas, com pessoas gordas que querem emagrecer, com qualquer tipo de mudança.
Assistimos também A Partilha, com Arlete Salles, Susana Vieira, Patrycia Travassos e Thereza Piffer. A peça é dirigida por Miguel Falabella, que também escreveu o roteiro. Termina dia 30 de setembro. Que bom que consegui ver. Ri bastante e até chorei um pouco, no final. Quando percebi, estava chorando.
Já passei por partilha semelhante e é assim, mesmo, no fim a gente briga por coisas de valor sentimental e não econômico. No fim de tudo, a grande questão é: e quem vai ficar com o joguinho do Toddy?
O Rio de janeiro continua lindo. Sol, mar bravo em Ipanema, Sushi Leblon é um excelente restaurante japonês. O Bar Lagoa continua o bar Lagoa, comi salsicha e salada de batata, muito bom. O Gula Gula é legal, as sobremesas são bem atraentes (brownie com sorvete?).
Na praia, cada um vive como quer, quem vende esfiha se veste de sheik, tem massagem na praia, todo mundo é campeão e abençoado.
Tem muita praia bacana pelo mundo, mas duvido que exista uma como a de Ipanema: gostosa e divertida. Até leitor de Dostoievski eu vi. E o biscoito Globo é muito bom, doce ou salgado. Tinha esquecido do biscoito Globo.
Passeando por Copacabana, passei pelo Largo do Poeta. Fotografei. Não sabia desse lugar, não conhecia esses dizeres do poeta (precisa clicar na foto para ler a carta), nada sabia sobre Rei Alberto. Foi assim, passando, que eu vi.

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Uma resposta to “E o Rio de Janeiro (2)”

  1. Rosana J. Candeloro Says:

    Tu escreves sobre cinema também! Que legal! Já anotei os dois filmes a que assististe. Sou tarada por cinema! Para teres uma ideia, assisti a seis em uma semana de julho, em férias, no RJ, onde vive minha família (em Copa!!!!). Cinco deles estão em cartaz em Porto Alegre agora, dois meses e meio depois! Não tenho nada para assistir, claro, eliminando os comerciais, que não entram em minha contabilidade! Abraços! Rô Candeloro – Porto Alegre

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