Povos indígenas, povos originários

1 de fevereiro de 2019

Eduardo Viveiros de Castro diz, nessa entrevista, que difícil é saber quem não é índio no Brasil:

As conferências, palestras, aulas do antropólogo Viveiros de Castro arquivadas no youtube esclarecem muito sobre povos indígenas. Depois que as descobri não me canso de assistir.

Há, no Brasil, mais de 300 etnias, por volta de 270 línguas. Muitas estão em extinção.

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-36682290

O Projeto Vídeo nas aldeias (www.videonasaldeias.org.br) reúne muitos filmes feitos por indígenas, de várias etnias.

A terra permeia todo o contexto, faz parte da identidade indígena

Eu me sinto bem vivendo em um país com povos e pessoas que mantêm sua cultura, modificando-a, mas sustentando suas características fundamentais. Aprendi que os povos indígenas protegem as florestas e o território brasileiro. Não permitem a corrosão da natureza. Manuela Carneiro da Cunha explica isso em texto publicado na revista Piauí 148, mais além relacionada:

Sintetizo ainda aqui alguma bibliografia que tenho colecionado, propondo-me a ampliar a lista ao longo de novas leituras. A lista não segue ordem específica. Se eu for muito rigorosa na preparação, o texto me prenderá demais e, afinal, esse é um blog, o texto compartilha fontes de conhecimento que podem ser consultadas livremente.

Segue:

1)- “O perecível e o imperecível: reflexões guarani mbya sobre a existência”, de Daniel Calazans Pierri (Elefante Editora).

Transcrevo uma fala:

“Essa aldeia, a primeira que eu visitava, localiza-se na Terra indígena Jaraguá. Eu estava a apenas vinte minutos de distância da casa onde morava, na zona oeste da cidade de São Paulo, testemunhando algo que nunca imaginei existir tão perto nos vinte anos em que ali residi. Pouco naquelas cenas me parecia diferente dos relatos históricos que eu então estudava por ocasião de minha iniciação científica, nos quais o frade franciscano André Thévet descrevia com incredulidade os rituais xamânicos que acompanhou entre os Tupinambá, ainda no século XVI. Pouco, não fosse o fato de que toda a tarde que antecedeu minha entrada na opy, quando circulamos pelas casas da aldeia incrustrada na metrópole paulista puxando conversa com os moradores, constituiu-se em uma desconstrução imediata de quaisquer concepções essencialistas e estereotipadas a respeito do que seriam os índios. Pouco, não tosse o fato de que esse evento era contemporâneo e se passava a apenas alguns quilômetros de minha casa” (p. 21).

Ainda:

“Segundo a publicação Mapa guarani continental (2016)- os Guarani totalizam aproximadamente 280 mil indivíduos, dispersos entre Brasil (85 mil), Bolívia (83 mil), Paraguai (61 mil) e Argentina 54 mil). -A literatura tem classificado esse contingente populacional, a partir de Egon Schaden, em três principais subgrupos: Kaiowa (ou Pai-taviterã, Mbya e Nhandeva (ou Xiripa, ou ainda Ava Guarani), além de subgrupos “andinos” presentes na Bolívia e na Argentina” (p. 30).

“A relação com os brancos é também pensada sob uma dualidade – mas uma dualidade regida por uma diferença descontínua. Os brancos são provenientes da transformação do mbi’i, a lagarta originária (ver mais adiante), e não são, portanto, descendentes diretos dos deuses, como os Guarani. Foi recorrente em praticamente todas as reuniões de que participei a fala dos mais velhos enfatizando uma descontinuidade entre os Guarani e os brancos, mesma descontinuidade que estes se reservam em relação ao seu Deus” (p. 68).

O livro faz referência a um filme no youtube, Guarani-MbYá: Bicicletas de Nhamderú. Procurei, está aqui:

2)- A Revista de Fotografia Zum traz muitas matérias sobre os povos indígenas e na de número 9 está “Os trabalhos e os dias”, matéria assinada por Eduardo Viveiros de Castro e Miguel Rio Branco. As fotografias são de Viveiros de Castro.

3)- Diários índios, de Darcy Ribeiro: Os Urubus Kaapor”(Companhia ds Letras). O livro traz diários de expedições do autor entre 1949 e 1951 às aldeias dos Urubus-Kaapr. O livro tem mais de 600 páginas. Gosto de diários. Não têm a formalidade ou o cuidado dos textos acadêmicos, aqueles escritos para serem estudados. Falam o que a gente precisa saber e compreender sem os filtros dos raciocínios elaborados.

Aqui está uma anotação:

“22/jan./50-Não tenho escrito nada esses dias. Ocupo meu tempo em remendar, para publicação, um material ofaié que trouxe e preparar a viagem. Foerthman está adoentado e ainda não pode partir, mas não demorará. Eu irei logo, também. A situação aqui é deplorável, há 32 doentes de cama com sarampo, gripe, terçol e outras atrapalhadas. Depois que chegamos já morreram cinco pessoas, o que é um recorde para tão pouco tempo e população tão pequena. Não temos remédios para ajudá-los e a Inspetoria só se lembrou de passar um telegrama me autorizando a tomar todas as medidas administrativas que julgar convenientes. Ora, bolas, dessas medidas a única boa seria demitir todos os funcionários do SPI no Pará, ele inclusive (p. 165).

4)- Por último, a biografia de José de Alencar escrita por Lira Neto:

O inimigo do rei, editora Globo. Li o romance Iracema na escola há muitos anos e nunca soube bem quem era Iracema, qual sua história. Depois li, ou ouvi, ou concluí, que Iracema era uma personagem muito romantizada e talvez inadequada a uma atmosfera de confronto cultural. Minha curiosidade por Jose de Alencar surgiu dessa primeira lembrança. Não li O guarani, a história de Peri e Ceci escrita em folhetim, 54 capítulos. Lira Neto conta que o folhetim virou mania:

“Os exemplares do Diário do Rio de Janeiro passaram a ser avidamente disputados, a circular de mão em mão. No meio da rua, de dia ou de noite, fosse à luz do sol ou dos lampiões da iluminação pública, o transeunte se deparava aqui e ali com aglomerados de pessoas, reunidas ao redor de algum assinante do Diário, que imediatamente era convocado a ler o eletrizante capítulo do dia. Nunca se assistira a tamanho fenômeno no Brasil. O guarani arrancava gritos de entusiasmo dos rapazes e suspiros dolentes das moçoilas”(p. 162).

Hoje, por coincidência,  El país publicou texto de Eliane Brum sobre O Guarani, de José de Alencar. Segue Eliane Brum:

“O indígena, habitante nativo que vivia na terra antes do domínio europeu, seria o herói genuinamente brasileiro da nação que se declara independente da metrópole. Mas com todas as qualidades atribuídas à cavalaria, na Idade Média, transplantadas para seu corpo e sua alma. A coragem, a lealdade, a generosidade, a partir de um ponto de vista que servia à manutenção do sistema feudal, e o amor cortês. Para escritores da época de José de Alencar e de Gonçalves Dias, que viviam o período pós-independência do Brasil, escrever era um ato de patriotismo. Eles teriam de dizer com sua obra o que é “ser brasileiro”. É também essa referência que o ideólogo do governo procura resgatar e enaltecer.

Os negros, corpos escravizados que moviam a economia do Brasil e serviam às suas elites, não estavam presentes como formadores de uma identidade nacional nestes romances de fundação. Se os escritores buscavam uma identidade nacional, ela era forjada dentro da matriz europeia. Como seria possível escrever em língua portuguesa, a do colonizador, sem ser colonizado na linguagem, foi uma questão crucial para a qual Alencar e outros também tentaram dar uma resposta no século 19. Mas este é um tema longo para outra conversa” (coluna de Eliane Brum em El país, 16 de janeiro de 2019).

5)- Revista Piauí de janeiro de 2019 – dois textos muito bons, que dialogam:

“Povos da megadiversidade: o que mudou na política indigenista no último meio século”- Manuela Carneiro da Cunha.

“Genocídio”- Norman Lewis

6)- Livros que examinam o aspecto jurídico.


Há muitos mais, mas por enquanto mostro esses dois, escritos por amigos meus que estudam há anos como o direito vê e como deve ver os povos indígenas:

Os direitos dos índios: fundamentalidade, paradoxos e colonialidades internas (Editora Café com Lei. Pode ser encontrado também em e-book, na plataforma da amazon).

-Direitos Territoriais indígenas: uma interpretação intercultural, de José Araújo Junior (Editora Processo)

7)- Também li Quarup, de Antonio Callado, A marcha para oeste, de Orlando e Cláudio Villas Bôas, e revi, recentemente, o filme de Hector Babenco, “Brincando nos campos do senhor”.

Compartilho com vocês essas fontes sem qualquer metodologia, são as fontes que encontro ao mergulhar em uma realidade nova para mim, mas não para o Brasil. Afinal, falo de povos originários, que aqui já estavam em 1500, e eram milhões, e diversos também.

O processo criminal de Euclides da Cunha, vítima de homicídio

14 de janeiro de 2019

http://cheflidu.com/2019/01/14/o-processo-criminal-de-euclides-da-cunha-vitima-de-homicidio/

Euclides da Cunha

31 de dezembro de 2018

Euclides da Cunha (1866-1909) será o homenageado da Flip em 2019.

Euclides da Cunha era jornalista e engenheiro e foi a Canudos, pelo jornal O Estado de S. Paulo, ver e contar a guerra que lá acontecia. O resultado dessa experiência é Os sertões.

Euclides poderia não ter feito mais nada na vida e já estaria eternizado. Mas ele esteve na Amazônia (Alto Purus) e, depois de um tempo do retorno, foi assassinado pelo amante de D. Saninha, com quem era casado e tinha filhos. Mas ela também os teve com Dilermando, rapaz muito mais novo, militar, por quem se apaixonara nas ausências do marido. As viagens eram longas.

Hoje é fácil viajar, mas antes não era. Assim mesmo, havia muitas expedições. Euclides viajava para contar o que via, desvendava terras brasileiras. Escrevia.

Penso na viagem que Euclides da Cunha fez à Amazônia e esse é um tema que me interessa muito, talvez mais do que Canudos ou Antônio Conselheiro ou Padre Cícero. E bom viver em um país que tem a Amazônia.

O jornalista e escritor Daniel Piza fez em 2009, também pelo Estadão, todo o percurso de Euclides da Cunha e escreveu Amazônia de Euclides. Ele conta, no livro, as duas viagens, a de Euclides e a dele, comparando lugares visitados. Há um documentário dessa viagem chamado Um paraíso perdido. Está no YouTube.

https://youtu.be/WMSsuWihp2U

Já fui à Amazônia, fiquei em Anavilhanas e não entrei de verdade na selva. Fiz passeios de barco e tive medo de o barco parar no meio do rio. Sou medrosa de realidade. Mas fui. O rio era largo e infinito, acho que meu medo era mais do infinito. Eu pensava, e se a gasolina do barco acabar? E se o barco quebrar?

Euclides não devia pensar em nada disso. Ou pensava e não se incomodava.

Dilermando foi absolvido, o júri considerou que ele matou nosso herói em legítima defesa. Ele foi à casa de Dilermando já agressivo e armado, pois Saninha estava lá, e ainda por cima grávida. Ele tinha ficado muito tempo longe e talvez não fosse um companheiro amável.

Achei muito bom a Flip falar de Euclides da Cunha porque pode ser uma oportunidade de falar sobre a Amazônia, índios brasileiros, literatura escrita por indígenas, religião, fé, crimes passionais, romance policial, literatura de viagem. Dá pra pensar em Antônio Conselheiro, em fanatismo, jornalismo, em Padre Cícero. Aliás, está publicada, de Lira Neto, pela Companhia das Letras, biografia de Padre Cícero.

O processo criminal correspondente ao julgamento de Dilermando está publicado em livro e ali é possível conhecer as versões dos fatos e suas circunstâncias (Crônica de uma tragédia inesquecível-Autos do processo de Dilermando de Assis, que matou Euclides da Cunha).

Mary Del Priore escreveu um livro sobre a tragédia: Matar para não morrer: a morte de Euclides da Cunha e a noite sem fim de Dilermando de Assis.

Quero saber tudo sobre a história de Euclides da Cunha, vontade de saber o que o movia, por que ele ousava ir tão longe e como conseguia escrever tão bem e com tanto estilo.

Só agora, escrevendo este texto, me ocorre que morei por alguns anos, quando adolescente, em uma rua chamada Euclides da Cunha. Eu nem me importava com o nome, só achava meio longo e sisudo, como aliás a rua era. Pode ser que a minha curiosidade inicial venha daí, curiosidade de saber mais sobre essa rua reta em que morei e percorria para ir ao cinema.

Ele cuida da Ótica

6 de dezembro de 2018

Escrevi este texto durante oficina com Cadão Volpato em 2017, o objetivo era criar um personagem. Enviei para publicação no Mulherio das Letras Europa, organizado por Sonia Palma e editado por Fatima Nascimento, da Editora Fafalag, na Alemanha. O livro foi lançado em Perugia, na Itália, em encontro do Mulherio (2018) formado por mulheres que vivem na Europa.

Adorei a capa. O livro veio direto da Alemanha com esses marcadores lindos da Editora Fafalag.  

É muito bom participar de publicação tão inspirada e com um personagem como Tony, que pode prosseguir, mas também parar por aqui.

Leituras diversas

16 de novembro de 2018

Leio bastante. A lanterna mágica de Ingmar Bergman, A noite da espera de Milton Hatoum, A uruguaia de Pedro Mairal.

A escrita de ficção segue. Reuni contos, alguns inéditos, outros não, e vamos publicá-los até o fim do ano, começo do próximo (Editora Patuá).

Tenho a impressão de que com a reunião dos contos termino uma fase ligada ao suspense policial.

Mas toda escrita é de suspense, então não sei se vai fazer muita diferença.

Estou começando outro romance, ainda não dá pra falar dele. Só que não é policial. Escrevo mentalmente.

Voltando às leituras, A uruguaia, de Pedro Mairal, tem um narrador homem, Lucas Pereyra. Ele é divertido e triste, impossível não simpatizar com a ingenuidade dele, que se acha o maior esperto. É escritor. O livro tem um enredo simples, mas não consegui parar de ler, curiosa pra saber como terminava. E ele fala de Montevidéu, onde já estive, me deu uma nostalgia daquele rio imenso que é como o mar.

A noite da espera é mais sério, não tem humor, tem gosto de ditadura, de juventude, de estar perdido no meio de acontecimentos sobre os quais não se tem qualquer controle. É triste.

Sobre o Bergman só posso dizer que estar dentro do pensamento dele é diferente de ver seus filmes. Ele descreve, na autobiografia, suas limitações, dúvidas, inseguranças, a intimidade criativa. Seus filmes são tão perfeitos, muitos deles sofridos, não entendo como foram criados por uma pessoa finita. Os filmes não terminam nunca, mudam no decorrer dos anos, estou revendo aos poucos.

Hoje li partes deste livro:

E encontrei:

Gosto de textos incompletos.

Sobre oficinas e coletivos literários, por Paula Bajer, escritora

23 de setembro de 2018

via Sobre oficinas e coletivos literários, por Paula Bajer, escritora

Romance Luminoso

11 de agosto de 2018

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Terminei de ler “Romance luminoso” (Companhia das Letras), de Mario Levrero, escritor uruguaio.

Um pouco mais da metade do livro é seu diário. Ele descreve a rotina de quem precisa escrever um romance porque ganhou uma bolsa para isso. Mas ele se dispersa, é viciado em programas de computador e romances policiais que encontra em sebos e bancas, tem uma companheira que o visita e com quem passeia, alguns problemas de saúde e uma médica com quem foi casado, alunos em oficina literária e, com tudo isso, não consegue escrever nada além do diário.

Fico encantada por esse apego aos romances policiais. Ele gosta dos mais antigos e brinca que não leu Agatha Christie. A certa altura, diz: “Assim funcionam os vícios, e a pessoa chega a sofrer grandes humilhações por necessidade da droga. Já sei que um dia vou acabar lendo Agatha Christie”.
Ele gosta desses autores: John D. Mac Donald, Leo Bruce, Chersterton, Edgar Wallace, Ellery Queen, Erle Stanley Gardner, Carter Dickson, e outros, inclusive Somerset Maugham e Graham Greene e tantos que não escrevem policiais, como Thomas Bernhard.

Quando comecei a escrever ficção eu tinha aulas com a professora Malu Zoega e lemos, juntas, “O que é romance policial”, de Sandra Lúcia Reimão, editado há anos pela Editora Brasiliense.

O livro foi importante para mim porque me ensinou o que é o romance de enigma e as diversas formas de narrar uma história.

Recentemente conheci, de Sandra Reimão, o livro “Literatura policial brasileira”, editado pela Zahar para a Coleção Descobrindo o Brasil. O livro me mostrou que conheço pouco o romance policial brasileiro. Fiquei sabendo que Fernando Sabino escreveu policiais e preciso lê-los com urgência.

Nos últimos tempos tenho conhecido escritoras bacanas de suspense: Andrea Nunes, Cláudia Lemes, Cristiane Krumenauer, Vera Carvalho Assumpção, Vivianne Geber. Cláudia Lemes preside a Associação Brasileira de Escritores de Romances Policial, de Suspense e Terror (ABERST). Elas têm liberdade para escrever sobre o lado escuro da vida e são luminosas.

Escrevi “Nove tiros de Chef Lidu”, e, nele, apliquei as regras estruturais dos romances policiais à minha maneira, ou seja, desaplicando.

Mais tarde escrevi outra história que também tem crime, “Feliz aniversário, Sílvia” (Patuá), e nesse último livro não aplico regra nenhuma, pelo contrário. O livro reúne vários livros dentro dele, parece muito simples, mas não é nada simples.

Quando leio um livro como “Romance luminoso”, de Mario Levrero, que foi além, pois descreveu o escritor pensando em quase nada porque é desse vazio que vivem alguns escritores, penso que não preciso me preocupar com enredos.

Mario Levrero observa as pombas no telhado que vê de sua janela como observa pessoas, não vou contar mais para não dar spoiler sobre o destino de uma delas. Só sei que não consigo parar de pensar na beleza de uma certa pomba.

Depois de muito diário ele finalmente escreve o romance. O narrador não é mais ele e a mudança de tom faz com que o romance fique diferente do diário, embora, na essência, talvez seja igual.

O romance de Mario Levrero não é policial, mas, ao valorizar a narrativa policial, seus autores, as coleções antigas, os sebos, contrapondo esse tipo de narrativa à história que não consegue escrever, porque se distrai, fala sobre literatura e sobre não literatura.

Eu fico intrigada com romances policiais. Leio os jornais e os casos de polícia são cada vez mais macabros. Nada parecidos com a pomba no telhado de Mario Levrero. Estagnada, mas comovente.

Falei em uma entrevista para o blog de José Nunes

16 de julho de 2018

https://comoeuescrevo.com/paula-bajer

Esperando Godot

20 de junho de 2018

Esperando Godot, de Samuel Beckett, é sempre um livro novo.

Há semanas leio e releio. Tenho várias edições e li a mais recente, da Companhia das Letras, cor de laranja.

Beckett escreveu em francês, traduziu ele mesmo para o inglês. Ele era irlandês, mas escrevia também em francês. Li em português e a tradução é muito boa.

Fábio de Souza Andrade não só traduziu como escreveu o posfácio, um dos textos mais inteligentes sobre um autor que já li. Não é didático e não impõe um ponto de vista. É um texto de quem conhece profundamente Beckett e comenta também para si mesmo. Ele está aqui neste programa falando sobre Beckett.

Descobri, no posfácio, que no Brasil mulheres representaram os personagens masculinos e essa foi uma de nossas contribuições para a história do teatro.

É muito impressionante que Cacilda Becker tenha passado mal em um intervalo da peça, foi para o hospital e morreu lá, tempos depois. Esperando Godot interrompida. Nossa melhor atriz morrendo enquanto representava Estragon.

Esperando Godot pode impactar de maneira diferente a cada leitura. Um vazio que está à nossa volta, em tudo, não só na Europa destruída.

A catástrofe da 2ª Guerra é de uma magnitude inominável, palavra aliás usada pelo próprio Beckett para intitular um de seus romances.

Hoje Esperando Godot mostra aquela solidão que só a gente conhece. E também aponta para o desalento das pessoas que buscam refúgio em outros espaços do planeta.

Em 1961 Giacometti fez a árvore do cenário, esquálida. Quando vejo as figuras de Giacometti nos museus fico hipnotizada. Eu nem sabia que Beckett e ele eram tão amigos e saber disso me fez compreender melhor mais os dois.

Este ensaio fala da amizade entre Beckett e Giacometti: https://www.tate.org.uk/art/artists/alberto-giacometti-1159/long-read/when-alberto-giacometti-met-samuel-beckett.

Não sei bem como terminar este texto, mas acho que posso dizer, como Vladimir: “Então, vamos embora”.

“Vamos lá” (Estragon).

Vislumbres de Bissau (segunda visita)

21 de maio de 2018

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Este é um bolo de casamento no dia seguinte da festa. Todo mundo foi embora e a cobertura do bolo ficou no restaurante, com os bonecos. Tive vontade de perguntar se alguém viria buscar, mas não perguntei.

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Esta é a praça principal de Bissau, à noite. Muita gente passeia e faz esporte aqui. Fiz esta foto do último andar do Hotel Império.

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Este é o Hotel Império, onde me hospedei. Fica na praça principal. A foto está um pouco grande, mas é a única que tenho.

Nino Galissa, músico que ouvi em Bissau, na Embaixada de Portugal. Estava acompanhado de alunos e super equipe.

Binhan (2)

Binhan, músico de Guiné-Bissau. Tive a oportunidade de ouvi-lo em um domingo de sol. Há vários registros de Binhan no youtube.


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