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Literárias e Ubatuba

16 de maio de 2012

Literatura e Ubatuba têm muito ou pouco em comum. Passei domingo lá e o dia estava lindo de tão feio. Ninguém na praia. Quer dizer. Passou um carro na areia, uma caminhonete. Eu andando e aquele carro grande vindo na minha direção. É proibido, quis gritar. E se ele me atropelar? Não resisti ao pensamento. Fui para o canto. Primeiro para a beira, no mar. Depois para a beira, na grama. Ele continuou devagar. Mas que impulsos não pode ter  um motorista de caminhonete dirigindo na areia em uma praia longa e absolutamente vazia, com exceção de uma caminhante solitária? No dia das mães? Ficções.

E a Virada Cultural. Marcelino Freire e Evandro Affonso Ferreira na Casa das Rosas. Às 2 da manhã. Amigos. Divertidos. Profundos. Complexos. Literatura.

E Valter Hugo Mãe na Livraria da Vila, Fradique, 12 de maio.  Valter Hugo Mãe é legal. O discurso dele é sedutor. Fala bem, pensa bem, vai direto no coração. Atinge. Daniel Benevides, da Cosac Naify, ciceroneou, recebeu, coordenou, fez as perguntas. Ele é muito inteligente.

Leituras: Haruki Murakami. Minha querida Sputnik e Do que eu falo quando falo de corrida. Eu queria escrever como Murakami. Queria correr como Murakami.

Ubatuba

21 de setembro de 2009

Ubatuba é uma cidade que fica no litoral norte de São Paulo. A cidade tem um centro movimentado, lojas, bancos, um comércio mais ou menos animado. Há um centrinho com sorveterias, um aquário muito frequentado, um ponto do Projeto Tamar, pizzarias, pousadas, restaurantes. E, no mais, mata atlântica e praias.

Há praias de muitos tipos: areias fofas, areias duras, tombo, ondas, mar bravo, mar manso. Há algumas cachoeiras. Faz alguns anos que vou para Ubatuba e não conheço muitos lugares de lá. Ubatuba é quase que infinita. Tem comunidades remanescentes de quilombo, tem comunidade indígena. É simples e sofisticada, é clara e misteriosa, é escura, às vezes, por causa de nuvens e chuva. Mas quando há sol, há o sol.

Às vezes a cidade me deixa melancólica. Ela faz com que eu entre dentro de mim e encare uma tristezinha de frente. É assim, não tem jeito. Eu poderia até desistir de ir pra lá. Mas ainda nem comecei a conhecer Ubatuba. Faltam tantas trilhas, tantos mares, tantas vistas, tantos morros…Como vou parar de ir se ainda nem comecei? E se eu ficar um pouco chateada, o que é que tem? Quando está sol e entro no mar com água no joelho e vejo meus pés e os minúsculos peixes em volta, penso que nenhum lugar, no mundo, se compara a uma praia em Ubatuba.

Os moradores de Ubatuba andam muito de bicicleta. Outro dia fiquei sabendo que as bicicletas, lá, são especiais: o breque fica na roda. Antigamente as bicicletas monark tinham o breque na roda. Há um restaurante lá que eu adoro, o Papagalli. É caro, mas muito gostoso, com mesas voltadas para o calçadão, de frente para a praia.

Ubatuba não tem muito charme, é uma cidade de praias autêntica, um pouco seca, bruta, até. Pessoas diferentes umas das outras vão pra lá e as pessoas que moram lá são todas muito determinadas a viverem lá, ainda que a opção signifique aceitar o fato de que a vida, em si, é um pouco monótona, mesmo, mas sentir o tempo passar devagar pode ser bom. Talvez um dia eu more em Ubatuba.

Eu sempre acho que o nosso olhar traz os lugares pra dentro da gente, como um prolongamento, uma extensão variável. Estar em Ubatuba é ser um pouco aquele vazio.


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