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Modernismo: o fascínio da heresia, de Peter Gay

29 de agosto de 2009

Gosto de ler ficção, mas gosto também de ler ensaios, estudos, descrições, textos que não me emocionam explicitamente. A ficção me toma muita energia e, quando estou cansada, simplesmente não consigo começar um livro e me envolver na história. Aí leio partes de discursos sobre variados assuntos, mas geralmente sobre a própria literatura, ou sobre arte, ou sobre como escrever, ou…sei lá. Pode ser qualquer coisa, mesmo textos sobre informática e gramática.

Livros de não ficção  lembram-me o tempo em que eu estudava, em que estava ligada à Universidade (não faz tanto tempo), em que lia, anotava e transformava idéias em novas idéias em combinações que eu acreditava inovadoras. Hoje em dia não me preocupo com isso porque sei que para ir além do que eu fui é preciso ser muito dedicado e  concentrado na técnica humanista e eu não sou assim. Fui até onde era possível, até onde minha honestidade intelectual permitia. Um passo a mais e eu estaria no campo da hipocrisia. Decidi enfrentar a vontade de escrever ficção. E é o que faço, embora nunca tenha publicado. Acho que vou publicar um dia, talvez, se eu quiser muito. Por enquanto me exercito. E leio.

E é mais fácil escrever sobre os livros de não ficção porque os romances despertam sentimentos difíceis de serem explicados. Então, quando quero escrever sobre o que leio, volto-me para as reflexões mais objetivas.

A Companhia das Letras publicou Modernismo: o fascínio da heresia, neste ano de 2009. No prefácio, Peter Gay diz: “Este é um estudo sobre o modernismo, seu nascimento, crescimento e declínio”.  Não vou tentar explicar aqui o que é o fenômeno cultural do modernismo, o livro tem mais de quinhentas páginas.  Se bem que o livro não trata propriamente do modernismo, mas dos modernistas, dos diversos artistas que quebraram padrões, na música, na literatura, na arquitetura, na pintura. Esses artistas não tinham ideologia em comum, afinidades políticas.

Vou ressaltar aqui alguns pontos que eu considerei  curiosos, neste livro que não li inteiro, adianto, um pouco sem jeito, mas com sinceridade. Não tenho pretensão de criticar o livro, ou de escrever uma resenha séria. Quero só expor alguns apontamentos para organizar as ideias.

Charles Baudelaire (1821-1867) foi um dos primeiríssimos modernistas. Objeto e sujeito estão unidos, para ele. As flores do mal fizeram-no responder a um processo: os poemas eram lascivos. E eram formalmente estruturados, também. A forma era importante. Flaubert também foi processado pela ousadia erótica de Madame Bovary, na mesma época.

O modernismo ultrapassa os anos. Peter Gay chega ao arquiteto Frank Gehry e o Museu Guggenheim em Bilbao (1997), esculturado para reluzir, impressionar.  E no meio do caminho estão Garcia Marques, Le Corbusier, Frank Lloyd Wright, Kandinski, Stravínski, T.S.Eliot, Kafka, Virginia Woolf, Proust, Joyce. Encontra-se, nas fotografias, serigrafia de Andy Warhol que mostra Marilyn Monroe mais Marilyn Monroe do que nunca: bela e fake.

O que todos esses artistas, e outros tantos, têm em comum? Não sei dizer bem, mas acho que exploram  autenticidade que se expõe com muita liberdade. Preocupam-se com o modo de mostrar, sendo ele, também, e principalmente, o moderno. Há no livro uma fotografia de “O balanço”, de Renoir. O sol passa entre as folhas das árvores e ilumina a moça, a criança, os rapazes. Estamos em um parque encantado e quase que sentimos a conversa dos personagens. É tudo tão luminoso. E é tudo tão aparentemente falso, também. O modernismo permite que o falso seja, ele mesmo, personagem da arte e do mundo. Falso não é o termo exato. Representação vai melhor.

The Great Gatsby- F.Scott Fitzgerald

17 de agosto de 2009

I know it is risky to write about The Great Gatsby. But I liked the novel very much and want to write about in English, the language it has been written.

I think that F. Scott Fitzgerald was  motivated when he wrote the novel. He found the rigtht characters and discouvered intelligent ways to link their lives. The narrator is smart and tells the story of Gatsby without leaving his own point of view apart. We get acquainted with his feelings about the relationship between Gatsby and Daisy and we know that, although he wants them to be together, he knows that their love is true, but almost impossible. The relationship between Daisy and her husband is real and able to survive. He saves her from being accused of a very bad act and she accepts his lie. It is better to stay with someone who  keeps you safe than with someone you love. What is love, anyway?

The narrator is a romantic man. And the great Gatsby is the man who believed in the green ligth, in the future that escapes. No problem: “to-morrow we will run faster, stretch out our arms farther…”

A montanha de moluscos de Leonardo da Vinci, de Stephen Jay Gould

10 de agosto de 2009

Este livro, publicado no Brasil pela Companhia das Letras em 2003,  é constituído por ensaios sobre história natural. O livro fica na estante atrás do computador e eu olho pra ele sempre que quero encontrar alguma coisa diferente nessa prateleira que guarda assuntos diversos que estimulam o meu pensamento.

Gosto dos naturalistas, pesquisadores pacientes e minuciosos. Gostaria de ter método para as análises e observações científicas, mas sou generalista e tenho compulsão pela síntese. Aprendi a fazer resumos na escola e sempre tenho a tentação de falar muito em pouca escrita. Às vezes dá certo e às vezes não.

Na introdução, o autor explica: “Na maioria dos casos, não descrevo observações inéditas, mas, antes, tento colocar informações pouco familiares (ou mesmo bem conhecidas) num contexto novo, justapondo-as a outros assuntos com os quais antes elas não eram relacionadas – sempre com o objetivo de iluminar uma questão geral sobre a prática da ciência, a estrutura da natureza ou a construção do conhecimento” (p. 19).

O exercício de  deslocar as informações de seu contexto habitual e misturá-las em raciocínios destinados a descobertas diversas é difícil, mas valioso. Pensamos em compartimentos e os limites são obstáculos a ideias novas.

O ensaio sobre a arte nas cavernas (Contra a parede, p. 197) analisa cronologia das pinturas encontradas, apontando dificuldades nas datações. E ele fala do deslumbramento ao ver pinturas feitas por homens que viveram há 30.000 anos atrás, pessoas como nós, ele diz. E continua: “Em outras palavras, não é o caso de pensarmos no Paleolítico como um período de antigo primitivismo, mas como um momento de vigorosa juventude para a nossa espécie (ao passo que hoje em dia representamos provavelmente a sua respeitável velhice)” (p. 217).

Essa admiração pelo começo senti quando vi pinturas rupestres na Serra das Paridas, na Chapada Diamantina (já relatei esse encontro neste espaço). Os desenhos de mulheres parindo me emocionaram (insiro fotografia ao terminar o post). E as figuras ainda não foram datadas, não sei em que fase estão os estudos.

Há muitos outros textos no livro, que misturam arte, biologia, literatura. Jay Gould fala de Darwin, Da Vinci, evolução, história e, em síntese, fala sobre a humanidade. Não é um livro fácil, é importante ter alguma  curiosidade científica para ler os ensaios. Mas fica-se com a impressão, ao lê-lo aos poucos, de que há muita coisa a ser estudada e descoberta, o que todo mundo já sabe, mas…

Sobre Goleiros

6 de agosto de 2009

Peguei  na estante o livro “Goleiros: herois e anti-herois da camisa 1″, do jornalista Paulo Guilherme, publicado pela Alameda em 2006. O livro fala sobre a função do goleiro no time, sobre as dificuldades do goleiro no jogo e conta muita coisa sobre os muitos goleiros na história do futebol. Che Guevara gostava de jogar na posição de goleiro,  era um goleiro barulhento e provocador (p. 20).

Quando o futebol foi criado, em 1863, não previa a posição do goleiro, que só apareceu em 1871. E o livro relata, com bom humor   e estilo – lembrando inclusive o fato de que uma revista francesa achou as pernas de Leão as mais belas do futebol mundial- a história do jogo no Brasil, falando de todos os nossos goleiros, das partidas e dos frangos, já que ” todo goleiro consagrado tem seu frango guardado no fundo da gaveta da memória” (p. 195).

O livro traz fotografias bonitas e coloridas, relação de todos os goleiros da seleção e curiosidades como médias de gols sofridos, vitórias. Taffarel foi o goleiro que mais vezes jogou pela seleção, foi o que mais tempo ficou sem levar gols. Leão foi o que ficou mais tempo sem levar gols em copas do mundo, e assim vai.

Eu gosto desse livro, embora não goste de assistir futebol na tv. Mas gosto de assistir aqueles programas na hora do almoço e de madrugada, em que comentaristas analisam passes, jogadas, política do futebol. É um assunto e tanto, move todo mundo.


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