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Dois blogs e um livro

17 de março de 2011

Acompanho alguns blogs porque me interesso pelas vozes narrativas.

Lembro agora de dois: Calmantes com Champagne (http://www.screamyell.com.br/blog) e o blog da Companhia das Letras (http://www.blogdacia.com.br).

Sobre o blog da Companhia:  É claro que a editora é legal, seus livros são bonitos e cuidadosamente impressos.

Os autores que publicam lá são reconhecidamente bons; a editora publica novos autores, também.

As capas são coloridas, os livros da Lygia Fagundes Telles, por exemplo, têm capas artisticamente preparadas.

Agora a editora publicou entrevistas com escritores da  Paris Review (As entrevistas da Paris Review, vol. 1).

Cada livro tem uma capa diferente. Comprei um em que a cor  rosa choque predomina. Tenho livros com as entrevistas  editados há anos. Até agora não consegui entender se as entrevistas publicadas são exatamente as mesmas, vou comparar direito as edições essa semana,  acho que algumas são.

Mas voltando ao blog, o melhor dele são os textos do Luis Schwarcz. Acho tão sinceros, gostei de ler sobre a festa de inauguração da editora, sobre os sentimentos dele em relação ao pai, aos livros, aos amigos, essas coisas que todo mundo tem e parecem tão íntimas e talvez não precisassem ser reveladas, mas são, com elegância.

Li entrevista que ele (Luis Schwarcz) deu à revista Bravo, disse que já escreveu romance recusado pelos profissionais da editora (http://bravonline.abril.com.br/conteudo/literatura/sou-editor-severo-demais-comigo-618074.shtml).

Aí a gente pensa, mas se ele é o dono da editora, por que não publica e pronto?

Outro blog que eu acompanho é o do Marcelo Costa, editor do Scream & Yell.  Sempre achei o texto dele poético, mas compreendi isso melhor ao ler, no post de 14 de março,  que ele tem umas 3.000 páginas  datilografadas de poesia. Escreve sobre música, cinema, literatura, com profundidade, sem ser chato.

É difícil não ser chato, hoje em dia. O leitor ficou muito impaciente, a internet fez com que a gente consiga fazer um monte de coisas ao mesmo tempo e fazer as coisas vagarosamente dá um certo tédio. Escrever na internet é um exercício e tanto.

Entre dicionários e discos de vinil

9 de março de 2011

Por que gosto de dicionários sem nem os leio tanto? É porque conseguem falar de diversos assuntos e ainda assim ter o mesmo nome de dicionário. Eles são simples, embora possam tratar de temas complicadíssimos. Dão a impressão de que tudo se resume a definições curtas e não precisamos prestar atenção em enredos, roteiros, análises. É só seguir a ordem alfabética e pronto.

Hoje, por coincidência, tirei da estante Dicionário de mulheres do Brasil, da Jorge Zahar Editor (Schuma Schumaher e Érico Vital Brasil). Fazia tempo que eu não olhava este livro. Abrindo assim aleatoriamente na letra C vejo o nome de Carolina Martuscelli Bori, nascida em 1924, apresentada como cientista, professora de psicologia da USP. Nunca tinha ouvido falar dela, e agora a conheci, ao lado de Carolina Nabuco, escritora, filha mais velha de Joaquim Nabuco.

Virando ainda as páginas, encontro Elisa Branco, definida como ativista política, nascida em Barretos. Foi presa em setembro de 1950 porque abriu uma faixa com dizeres “Nossos filhos não irão para a Coreia” em desfile no vale do Anhangabaú. Foi condenada a 4 anos e 5 meses de prisão, mas foi absolvida pelo Supremo Tribunal Federal em 1951, depois de campanhas em seu favor.

Depois o Dicionário fala de Isabel, índia escrava do século XVI, de Lourença Correia, condenada pela inquisição por bigamia no século XVIII, de Madalena Pimentel, apresentada como delatora no século XVI. Ela teria dito a inquisidor, visitador da Santa Inquisição, que certa pessoa comia carne às sextas-feiras, o que seria indício de prática judaizante. Fiquei impressionada com essa delação. Que incrível a pessoa passar da inquisição a um dicionário como delatora. Mas dicionários são assim mesmo, explicam de tudo, sem juízo de valor.

Mais coincidência ainda, hoje, olhando discos antigos de vinil,  encontrei um chamado Women in jazz: swingtime to modern. E li, na capa, sobre certa preocupação com o fato de as mulheres não terem merecido desde logo toda a atenção da indústria de entretenimento. Os textos sobre jazz são sempre românticos, bem escritos, nostálgicos já no início.

 Revi New York, New York no sábado de carnaval. A evolução da personagem de Liza Minelli no decorrer do filme mostra tudo sobre o esforço feminino para o exercício do talento.  Um pouco over o final, mas…New York, New York.


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