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“O que amar quer dizer”, de Mathieu Lindon (Cosac Naify)

29 de novembro de 2014

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O livro  é sobre Michel Foucault, sobre o pai de Mathieu,  editor  (Jérôme Lindon), e sobre uma geração, ou duas gerações, porque Foucault era muito mais velho.  Todos  então fomos surpreendidas pela AIDS, que mudou tudo.

Essa proximidade entre Lindon e Foucault aconteceu em vida, mas tive a impressão de que, depois da morte de Foucault, a amizade continuou. Depois que as pessoas morrem, elas continuam  falando com a gente.

Não estou me referindo aqui a qualquer contato do outro mundo, mas à comunicação que acontece a partir de lembranças e prognósticos dessas lembranças.

É mais ou menos como a cena em que David Copperfield procura sua tia e o que o move é a lembrança de um relato que sua mãe fez sobre o último encontro que tiveram, e que ela vislumbrou, em um gesto, certo carinho. Essa impressão de carinho deu  a David energia para procurar a tia, que o rejeitara, quando ele nasceu, porque desejava uma sobrinha mulher.

O livro de Mathieu é também sobre o que não se diz, ou se diz sem dizer, e a fala só se completa depois, muito depois, até depois da morte, se é que ela vem. Acho que não é “o que amar quer dizer”, mas como e quando dizer o tanto que se ama.

Mathieu Lindon diz para nós o que estaria dizendo a Foucault e ao pai. Na verdade, fala para eles.

Não vou contar o que é dito para não estragar a surpresa de quem lê, porque a narrativa se transforma ao longo do texto e há suspense, a gente quer chegar ao fim.

Curiosa, procurei Mathieu Lindon no site do Liberation. Vou ler sempre suas crônicas e reler o livro daqui a um tempo para compreender outras falas que não percebi, nunca se percebe tudo, ou alguns textos só se revelam quando lidos uma outra vez.

David Copperfield e Serendpt na Balada Literária

20 de novembro de 2014

São Paulo com a Balada Literária realizada por Marcelino Freire e eu agora lendo e pensando em David Copperfield, um amigo de sempre que eu conhecia só de ouvir falar, ainda não tinha lido, pelo menos não me lembro de ter lido, talvez.

Tudo está só começando (a Balada) e amanhã vou à Livraria da Vila na Fradique assistir a uma ou mais mesas, quero ver o Evandro Affonso Ferreira ( o último romance é Os piores dias de minha vida foram todos, da Record ). Até li a biografia do Plínio Marcos para entender melhor Plínio Marcos, que eu não conheço muito bem (Bendito Maldito, de Oswaldo Mendes, da Leya). Marcelino Freire une, na Balada,  literatura e teatro, faz homenagens a Zé Celso e ao Teatro Oficina, cria oportunidades para o canto e a fala.
A programação da Balada está aqui: http:/www.baladaliteraria.com.br.
E eu lendo David Copperfield, uma parte em inglês e outra em português.  A edição da Cosac é linda, mas o livro muito pesado, então baixei no Kindle e leio digital, levo o leitor pra lá e pra cá. Teve uma parte muito triste, antes dele ir para o colégio interno, essa parte eu li em inglês, ainda bem. Se tivesse lido em português teria ficado muito mais revoltada. É muito triste quando os pais mudam com os filhos, e a mãe de David, Clara, mudou muito depois do casamento. Ela virou outra pessoa. Ainda bem que li em inglês, consegui um distanciamento. Aí cheguei em casa e fui atrás do livro em português pra ver se eu tinha entendido bem aquela tristeza toda. E eu tinha entendido. Mais triste do que eu pensava.

Hoje, no fim da tarde, fui ao lançamento do romance do Luiz Bras, Distrito Federal, publicado pela Patuá. Ficou  muito bonito. Capa dura, ilustrações de Teo Adorno, estou com a maior vontade de ler. Você pode ler mais sobre o livro aqui:  http://luizbras.wordpress.com.

Aliás, o Luiz fala na Casa das Rosas domingo, dia 23, junto com Claudio Willer, Ricardo Lísias e Marcelo Tápia. (http://www.casadasrosas.org.br/agenda/simpoesia-2014-o-escritor-como-professor-).

Mas a Balada Literária termina dia 23 e domingo será lançado nosso Serendpt (Livrus). Participo do Coletivo Literário Martelinho de Ouro (tá no facebook.com) e acabamos de publicar o segundo livro de contos (o primeiro é Achados e perdidos (RDG), agora em formato digital, e-galáxia).

Tenho três contos em Serendpt, “Lagarto”, “O escritório” e “Gordurinhas excedentes”. Os contos foram escritos durante Laboratório coordenado pelo Ronaldo Bressane no B_arco. Gosto desses contos, acho que são perspicazes e divertidos. Levei para o Martelinho e minhas companheiras também gostaram. Nosso livro ficou coerente e bonito. A organização é de Regina Junqueira e o projeto gráfico e a capa são de Cida Junqueira.

Voltando a David Copperfield, por que Dickens é tão importante?


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