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Coletivo Literário Martelinho de Ouro e João Carrascoza na Livraria da Vila

11 de março de 2015

blogcarrascoza

Ontem, na conversa do Coletivo Literário Martelinho de Ouro com João Carrascoza, na Livraria da Vila da Lorena, em São Paulo, ele disse, falando de grupos e encontros, que faz parte da Geração 90.

Aí me lembrei, tenho até o livro, “Geração 90, manuscritos de computador”, publicado pela Boitempo Editorial em 2001. Nelson de Oliveira é organizador (escrevi aqui sobre esse livro em Macunaíma, de Luiz Bras). Abro o livro e os contos de João Carrascoza estão lá: Travessia e Duas tardes.

Gosto de olhar essas publicações que mostram ideias comuns, reúnem pessoas, tendências, escritos. Depois o tempo passa e os contos ficam lá, para serem lidos com outros olhos mais tarde, como eu faço agora, 14 anos depois. Os contos permanecem atuais porque 14 anos é pouco tempo na literatura.

Penso nas nossas publicações do Martelinho de Ouro, em “Achados e perdidos”, “Serendpt”, “50 anos daquele 64”, nos contos que escrevemos, nas conversas todas, é bom ter uma roda de escritura e de leitura como a gente tem.

Estou escrevendo este texto para deixar um registro, sob meu ponto de vista, da conversa de ontem. Algumas frases ficaram: literatura não é cópia das coisas. É reconstrução de mundos possíveis, evocação das coisas perdidas, temos vínculos de afetos com nossos amigos escritores, temos autores que nos inspiram e com quem nos digladiamos, também. João falou isso e mais, mas guardei essas frases.

Perguntaram-nos se consideramos nossa literatura feminina, se ela tem características femininas. Já pensamos nessa pergunta tantas vezes e a resposta foi que não faz diferença, ou não tem importância, ou é feminina mesmo, ou nem é, o que importa é o que se diz. Regina fala bem sobre  esse tema  porque muitos de seus personagens são masculinos e bastante convincentes.

É uma coincidência o coletivo ser formado por mulheres. Mas agora somos nós e pronto: Regina, Fatima, Lucimar, Teresinha, Gabriela, Paula, Concha, Flávia, Cris, Deborah, Sílvia, Izilda, Eliana.

Cada uma  leu um parágrafo pequeno de um conto da outra, do livro Serendpt, e esse foi um bom momento da tarde. Eu li, da Regina, esses parágrafos do conto Luís Antonio Raimundo, de Serendpt, p. 196: “Resolvi ir andando pra qualquer lugar. Que tivesse telefone, ou vendesse cerveja. Confesso, Rosalinda, que a essas alturas eu torcia pela segunda opção. Feito cupim alado, confundido na noite, minhas asas me arrastaram em direção a um clarão. Parecia perto, mas a cada lombada a luz dava impressão de andar mais pra frente. Cheguei a mudar o rumo, atrás dos reflexos que brincavam de espelho com a minha vista cansada de buscar foco no vazio”.

Perguntada sobre processo de escrita (Graziela, Palavraria Coletivo Literário, também escritora, perguntou), sobre como escrevo, respondi que, em meus dois romances, primeiro encontrei o personagem. Aí  ele me leva ao final da história em um contexto que me mobiliza. Em “Viagem sentimental ao Japão” (Apicuri), Anette está no mundo das viagens, e em “Nove tiros em Chef Lidu” (Circuito), Elvis está nos mundos da investigação criminal e da gastronomia.  Esses personagens têm personalidade forte,  conduzem a história, mesmo que, às vezes, o enredo lhes pregue algumas peças (isso acontece). Gosto de escrever narrativas mais longas.

João perguntou sobre como encontramos editoras e a resposta foi, de minha parte: perseverança e força de vontade. As editoras podem publicar os livros que  quiserem e simplesmente não há como convencê-las se elas não acham o livro bom ou vendável e isso não pode ser criticado. Há um mercado. Mas, por outro lado, como também já ouvi, há algo que se chama the long tail, e me parece que isso quer dizer que há sempre um lugar para quem insiste.

Valorizo cada conexão pela escrita. É muito bom encontrar leitores e, sejam um ou cem mil, como diz um livro de Pirandello, ligações são estabelecidas em um plano diferente, ainda não sei definir bem qual. E vivo melhor.

David Copperfield e Serendpt na Balada Literária

20 de novembro de 2014

São Paulo com a Balada Literária realizada por Marcelino Freire e eu agora lendo e pensando em David Copperfield, um amigo de sempre que eu conhecia só de ouvir falar, ainda não tinha lido, pelo menos não me lembro de ter lido, talvez.

Tudo está só começando (a Balada) e amanhã vou à Livraria da Vila na Fradique assistir a uma ou mais mesas, quero ver o Evandro Affonso Ferreira ( o último romance é Os piores dias de minha vida foram todos, da Record ). Até li a biografia do Plínio Marcos para entender melhor Plínio Marcos, que eu não conheço muito bem (Bendito Maldito, de Oswaldo Mendes, da Leya). Marcelino Freire une, na Balada,  literatura e teatro, faz homenagens a Zé Celso e ao Teatro Oficina, cria oportunidades para o canto e a fala.
A programação da Balada está aqui: http:/www.baladaliteraria.com.br.
E eu lendo David Copperfield, uma parte em inglês e outra em português.  A edição da Cosac é linda, mas o livro muito pesado, então baixei no Kindle e leio digital, levo o leitor pra lá e pra cá. Teve uma parte muito triste, antes dele ir para o colégio interno, essa parte eu li em inglês, ainda bem. Se tivesse lido em português teria ficado muito mais revoltada. É muito triste quando os pais mudam com os filhos, e a mãe de David, Clara, mudou muito depois do casamento. Ela virou outra pessoa. Ainda bem que li em inglês, consegui um distanciamento. Aí cheguei em casa e fui atrás do livro em português pra ver se eu tinha entendido bem aquela tristeza toda. E eu tinha entendido. Mais triste do que eu pensava.

Hoje, no fim da tarde, fui ao lançamento do romance do Luiz Bras, Distrito Federal, publicado pela Patuá. Ficou  muito bonito. Capa dura, ilustrações de Teo Adorno, estou com a maior vontade de ler. Você pode ler mais sobre o livro aqui:  http://luizbras.wordpress.com.

Aliás, o Luiz fala na Casa das Rosas domingo, dia 23, junto com Claudio Willer, Ricardo Lísias e Marcelo Tápia. (http://www.casadasrosas.org.br/agenda/simpoesia-2014-o-escritor-como-professor-).

Mas a Balada Literária termina dia 23 e domingo será lançado nosso Serendpt (Livrus). Participo do Coletivo Literário Martelinho de Ouro (tá no facebook.com) e acabamos de publicar o segundo livro de contos (o primeiro é Achados e perdidos (RDG), agora em formato digital, e-galáxia).

Tenho três contos em Serendpt, “Lagarto”, “O escritório” e “Gordurinhas excedentes”. Os contos foram escritos durante Laboratório coordenado pelo Ronaldo Bressane no B_arco. Gosto desses contos, acho que são perspicazes e divertidos. Levei para o Martelinho e minhas companheiras também gostaram. Nosso livro ficou coerente e bonito. A organização é de Regina Junqueira e o projeto gráfico e a capa são de Cida Junqueira.

Voltando a David Copperfield, por que Dickens é tão importante?