Posts Tagged ‘Silviano Santiago’

Da primeira história do mundo aos índios no Brasil

9 de dezembro de 2015

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Alberto Mussa obteve o terceiro lugar no Prêmio Oceanos com seu “A primeira história do mundo”, da Record. Dedicou o prêmio a seu editor, Carlos Andreazza.

“A primeira história do mundo” é um romance policial e integra projeto de cinco novelas sobre crimes praticados no Rio de Janeiro, um em cada século. Na introdução, que ele denomina advertência, está que “O trono da rainha e “O senhor do lado esquerdo” integram esse ciclo.

O parágrafo primeiro do livro tem título: “Quando se sabe da existência de um cadáver”. Tudo começa, para a investigação policial, quando o corpo aparece. Hoje em dia essa regra foi relativizada porque, em raras hipóteses, a certeza do homicídio pode vir por outros caminhos. Mas, de qualquer forma, é  da descoberta do cadáver  que nasce, também, o romance policial. E a primeira frase do capítulo é: “Estamos na cena do crime”.

O corpo que surge é o de Francisco da Costa, serralheiro. Foi encontrado por Simão Berquó. Estava furado por sete flechadas, ou oito. As flechas eram curtas e diferentes das usadas pelos índios. Não obstante outros suspeitos, o próprio Simão Berquó foi condenado. É o que narra o autor, que, segundo a advertência inicial, assumiu a função, no romance policial, de investigador. Pesquisou o processo instaurado em 1567.

Havia então, na Guanabara, muitos índios. Havia, segundo o romance, os itaipus, ou “a mais antiga população pré-histórica do litoral carioca” (p. 131). Eram endocanibais: comiam os mortos. Havia os tupis. No inquérito sobre o homicídio, havia intérprete para traduzir a informação dada em tupi para o português (p. 75). O livro está repleto de referências e histórias indígenas.

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Foi bacana ver o escritor Daniel Munduruku, de Belém do Pará, entregar o Prêmio Oceanos a Silviano Santiago por “Mil rosas roubadas”. Ele é da etnia munduruku. É, também, escritor super premiado e doutor pela USP. Antes da entrega do prêmio, falou que precisamos olhar para nosso passado indígena, mesmo que dele não gostemos.

Encontrei, na internet, carta dos Munduruku ao governo: http://migre.me/slO8n.

Há, no Brasil, registradas, 305 etnias diferentes, 817.963 indígenas, 274 línguas indígenas (Censo de 2010, segundo Funai).

A carta dos Munduruku, a fala de Daniel Munduruku na cerimônia de entrega do Oceanos, o livro de Alberto Mussa, adquirem extrema atualidade neste momento em que tramita, no Congresso Nacional, a PEC 215, que transfere, ao Poder Legislativo, a demarcação das terras indígenas, terras que já deveriam, há muito, estar demarcadas.

Há poucos dias houve, em Brasília, audiência sobre a PEC 215, na Procuradoria Geral da República. Leia aqui notícia aqui: http://migre.me/slONH.

Comecei este texto falando do livro de Alberto Mussa, de romance policial, de processo penal, de história, e terminei falando do tema mais importante, sobre o qual eu queria falar e não sabia: situação vulnerável dos índios no Brasil.

“Mil rosas roubadas” no Prêmio Oceanos: amizade

9 de dezembro de 2015

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Lucimar e Lourenço Mutarelli convidaram o Coletivo Literário Martelinho de Ouro para o Prêmio Oceanos, no Auditório Ibirapuera.

Escritores de muitos livros (os últimos: Só aos domingos, da Lucimar, e O grifo de abdera, do Lourenço), conhecem bem o valor da ideia e da palavra e conduziram a cerimônia com simpatia, sempre homenageando a literatura. Todos foram lembrados nas falas: escritores, editores, leitores, o cinema.

Silviano Santiago (Mil rosas roubadas), Elvira Vigna (Por escrito), Alberto Mussa (A primeira história do mundo) e Glauco Mattoso (Saccola de feira) foram os quatro premiados.

Coube a Silviano Santiago o primeiro lugar, e foi bonito. Ainda não li os livros vencedores. Então, para mim, é simbólico que o autor mais antigo tenha ficado em primeiro, a escritura da vida é reconhecida no prêmio.

O escritor e professor Daniel Munduruku entregou o troféu  a Silviano Santiago. Antes, falou sobre a importância de o Brasil olhar para povos indígenas que formaram e fazem parte de sua história.

Ao falar sobre a primeira frase de seu livro (Perco meu biógrafo), antes de receber o prêmio, Silviano Santiago disse, mais ou menos, que, no momento em que o narrador perde a pessoa mais querida, está perdendo a si mesmo, escrever sobre o outro é recuperar a própria história. O sobrevivente é quem narra o outro para conhecer a si mesmo.

Toda narrativa tem dois lados (ou mais), e agora já estou em uma digressão, ainda não li “Mil rosas roubadas”.

Já estou com o livro no meu leitor. E, procurando, leio a frase: “Que o bom amigo seja minha sentinela, meu espectador, meu padrinho, meu superego voluntário. Não importa. Que seja meu olheiro, como se diz na gíria de futebol”.


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