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Feliz aniversário, Sílvia

11 de janeiro de 2017

 

 

“Feliz aniversário, Sílvia”, meu terceiro romance, está pronto. É sobre dietas para emagrecer, amizade entre mulheres, relacionamentos amorosos, traições, sobre a própria ficção. É um livro bem curto.

Sílvia e Sabina são as personagens principais. Adoro esse nome, Sílvia. Sei que Nanni Moretti tem Sílvia em pelos menos dois de seus filmes (“Caro Diário é um deles”), preciso prestar atenção nos outros. Sílvia é o nome da personagem de uma história muito linda que meu filho escreveu e ainda não publicou e só percebi quando ele mesmo lembrou. Achamos graça. Fiquei com esse nome gravado. Tenho amigas que se chamam Sílvia.

Sabina é o nome da personagem de Milan Kundera em “A insustentável leveza do ser” e é o nome da madrasta de minha avó Ieta. Meu bisavô se casou com a Vó Sabina depois que minha bisavó morreu. Ela era uma senhora discreta que usava óculos de lentes muito grossas. Uma madrasta boa, ou que pelo menos não incomodava minha avó. Ficava sentada enquanto não via nada e falava pouco.

Minhas personagens surgem sendo tudo o que sou, não fui, ou poderia ter sido, mas depois elas se transformam e não me reconheço mais. Adoro criar personagens. Meus livros têm esses mundos paralelos e são como a televisão, dá para entrar neles. Eu me sinto um pouco como o personagem de Peter Sellers em “Muito além do jardim”, ou como Mary Poppins entrando dentro dos quadros.

Publiquei “Feliz aniversário, Sílvia”, pela Amazon, no formato Kindle. Eu mesma formatei o livro segundo os parâmetros da Amazon e é a primeira vez que publico de maneira totalmente independente. A capa é uma fotografia de uma torta de morango que minha filha comprou em um domingo.

Gosto de ler no formato digital e fiquei um pouco sem ânimo para procurar uma editora para o livro, esperar avaliações, ou mesmo o tempo da edição, da preparação dos originais, da gráfica. Quero passar imediatamente para outro projeto. Como essa novela é curta, li e reli muitas vezes e espero ter corrigido todos os erros, embora saiba que alguns sempre ficam.

Uma vez ouvi Raquel Naveira falar do destino maravilhoso dos livros e acreditei. Espero que dê tudo certo com “Feliz aniversário, Sílvia”.

Para ler o livro, é só inserir meu nome no campo de busca da Amazon.

 

Um livro: guia de escritoras da literatura brasileira

4 de junho de 2016

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É de Luiza Lobo esse guia, publicado pela UERJ e pela Eduerj em 2006. Luiza Lobo é professora de literatura, escritora. No plano da obra, explica que o trabalho durou mais de 10 anos e apresenta 36 escritoras.
Entre os critérios para seleção estão: “perfil sociológico e literário, a questão do cânone e a literatura feminista no Brasil”.
As escritoras são: Adélia Prado, Ana Cristina César, Ana Eurídice Eufrosina de Barandas, Ana Maria Machado, Ana Miranda, Auta de Sousa, Carmem Dolores, Carolina Maria de Jesus, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Cora Coralina, Diná Silveira de Queiroz, Francisca Júlia, Gilka Machado, Helena Parente Cunha, Heloísa Maranhão, Henriquieta Lisboa, Hilda Hilst, Júlia Lopes de Almeida, Lya Luft, Lygia Fagundes Telles, Maria Alice Barroso, Maria Firmina dos Reis, Marina Colasanti, Marly de Oliveira, Narcisa Amália, Nélida Piñon, Nísia Floresta, Olga Savary, Patrícia Bins, Patrícia Galvão, Rachel Jardim, Rachel de Queiroz, Sônia Coutinho, Tânia Jamardo Faillace, Zulmira Ribeiro Tavares.
O livro segue como dicionário, ou enciclopédia. Há biografia, bibliografia, bibliografia sobre as autoras.
Muitas escritoras nasceram antes de 1900 e muitas escreveram também sob pseudônimo.
Ana Cristina César e Ana Miranda, estão entre as minhas prediletas relacionadas no post anterior.
O guia é de 2006 e, depois, muitas escritoras novas surgiram no Brasil. Vale muito a pena ver como a autora colecionou informações relevantes para a caracterização de literatura escrita por mulheres no Brasil.
Antes eu não achava importante caracterizar especialmente a literatura de autoria feminina. Mas tenho pensado sobre isso sob outros pontos de vista, entre eles o da valorização da nossa presença na cena literária. Gostei de encontrar o guia de Luiza Lobo.

Escritoras e personagens

29 de maio de 2016

Aqui está uma lista afetiva de escritoras que me influenciaram. Entre parênteses estão os livros que ligaram nelas (tem um conto, também):

1)- Ana Miranda (Boca do inferno);

2)-Gertrude Stein (A autobiografia de Alice B. Toklas);

3)- Isabel Allende (Eva Luna);

4)- Patricia Cornwell (Corpo de delito);

5)- Ana Cristina Cesar (A teus pés);

6)- Simone de Beuvoir (Os mandarins);

7)-Karen Blixen (Fazenda africana);

8)- Jane Austen (Razão e sensibilidade);

9)- Marguerite Duras (O amante);

10)- Marilene Felinto (Muslim: woman)

Tem uma coisa na discussão atual sobre igualdade, sobre feminismo, sobre os espaços que nós, mulheres,  ocupamos, que me escapa. Eu não sei precisar bem o que falta, não consigo muito falar sobre isso.

Sou de uma geração intermediária, nasci em 62. Fui educada para acreditar  que o mundo tinha mudado e me surpreendi quando vi que nem tanto. Tomei um susto, um choque.

Há mais escritores publicados que escritoras publicadas. Tenho achado que publicar é muito importante, mesmo textos não tão bons ou bem avaliados sob um ponto de vista mais literário. Eu sei que há muitos livros publicados, que o mercado está saturado, que é difícil ter livros em livrarias, dizem que brasileiros leem pouco (li que as brasileiras leem muito), que encontrar uma editora é mais difícil ainda.

Mesmo assim, é importante publicar. A internet facilita, sempre se pode fazer um blog, um fanzine impresso em casa, um folhetim em xerox, um e-book em uma plataforma gratuita.

O ideal seria ter milhares de leitores,  mas ter um leitor que responda a um texto  é maravilhoso. Um leitor  que  leia com atenção, grife uma frase, ria de uma piada, que se identifique com um mistério, uma tristeza, um sentimento de inadequação da personagem.

Comecei a falar de minhas autoras preferidas e acabei falando de mim e esse foi um devaneio suscitado pela minha condição feminina.

Quando eu era pequena, estava na livraria com a minha avó, era uma livraria que frequentávamos, nós duas. Havia um livro na estante  e no título estava a palavra sexo. Eu perguntei a ela o que era sexo. Ela me respondeu que era algo como masculino e feminino, uma palavra que reunia os gêneros. A resposta não foi a mais adequada, talvez, mas não estava errada. Eu me lembro que, na hora, achei a explicação um pouco estranha, mas me identifiquei com aquele título, ele me incluía. Não sei por que me lembrei disso agora. Outro devaneio.

Pensando nas escritoras, lembrei de personagens femininas muito vivas: Macabéa, Lady Chatterley, Emma Bovary, Anna Karenina. Só uma delas criada por uma escritora: Macabéa, por Clarice Lispector.

Clarice Lispector não pode faltar em nenhuma lista. Gosto e respeito, mas não sou totalmente envolvida por ela. Sua escrita é tão forte que me incomoda e leio pouco para não me machucar. Preciso de distância na leitura e tenho a impressão de que o texto de Clarice não concorda com o afastamento.

Não sei exatamente por que as escritoras mulheres são menos publicadas que os homens (isso está mudando). O que eu sei é que as mulheres ainda não escrevem tudo. Há muitas opiniões, sentimentos, versões, ficções, invenções, não verbalizadas.

A literatura transforma as pessoas e podemos transformar sempre e cada vez mais, escrevendo uma história sem qualquer intenção de fazer a cabeça, ou politizar, ou mudar o mundo, ou tendo a intenção, tanto faz, cada uma ou cada um escreve o que quer (e pode) para quem quiser ler.

Mas cada escrita reflete seu tempo e seu contexto e se descola da pessoa que escreve e da que lê, também. Implementando diálogos diversos, representando, o romance muda o mundo. Os romances de minhas escritoras prediletas mudaram meus mundos. Até Corpo de delito. Kay Scarpetta é uma senhora personagem.