Romance policial (1) Cadernos de Agatha Christie

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Hoje começo uma série de posts sobre romances policiais. Eles me interessam. Tenho lido bastante sobre. Gosto até mais de ler sobre os romances policiais do que ler os romances policiais. No fundo, todo romance tem estrutura parecida com a do romance policial. Só que ele é mais fácil de ser compreendido: o crime é o que precisa ser desvendado. O crime, aqui, é um fato preciso e determinado no tempo. Isso dá segurança ao leitor, que não tem trabalho de tentar entender o que o autor quer dizer. Mas e se, no romance policial, surge o inesperado? Outra indagação além da autoria do crime cometido? Deve ser possível fazer isso. Acho que Roberto Bolaño, em “Os detetives selvagens”, fez isso. Mas depois falo de Bolaño. Outro dia. Hoje falo de Agatha Christie. Lia muito. Tenho aqui comigo “Os diários secretos de Agatha Christie”, de John Curran (Leya, 2010). Esse livro é muito estranho. É estranho porque o autor comenta o tempo todo e é difícil separar o que ela escreveu do que ele escreve. Ela mesma não tinha muito método para as anotações.
Algumas curiosidades: 1)-Há 73 Cadernos de Agatha Christie conhecidos; 2)- Os Cadernos são numerados de arbitrariamente. A filha de Agatha Christie determinou numeração antes dela morrer, mas isso não foi feito de maneira cronológica; 3)- As anotações eram lembretes; 4)- Ela queria ser lembrada como boa autora de histórias policiais (respondeu isso em uma entrevista).
Também achei curioso: “Parte do prazer de estudar os cadernos está no fato de não se saber o que vai ser encontrado ao virar a página. A trama do último romance de Poirot pode ser interrompida por um poema escrito para o aniversário de Rosalind; uma página em que se lê, de forma otimista, “Coisas a fazer”, está espremida entre um romance de Miss Marple e uma peça teatral inconclusa” (p.63).
Alguns escritores fazem anotações minuciosas antes de escrever o livro. Outros, não. Parece que, para os escritores de romances policiais, as anotações prévias são muito importantes. Há um raciocínio a ser observado, a história não pode ser aleatória. O autor precisa conhecer o fim? Será que ele mesmo precisa saber quem praticou o crime desde o começo? Mas e a graça de escrever?

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