História de uma leitura: Dublinesca, de Vila-Matas

dublinesca

Quando penso na minha escritura, penso que leio pouco e meu objetivo, em 2013, é ler muito. Ler, pra mim, é escrever também, porque gosto de produzir, fazer malhas de tricô, entrar em um processo qualquer e terminar, ver o resultado. Como disse o Raduan Nassar na entrevista aos Cadernos de Literatura que menciono em  post imediatamente anterior, fazer e escrever são processos semelhantes.

Então achei que seria interessante começar a ler um livro e escrever o que eu penso enquanto leio esse livro. E resolvi começar por Dublinesca, de Enrique Vila-Matas,  que ganhei de aniversário de uma pessoa querida. Na página de Vila-Matas na internet estão muitas informações sobre o livro: http://www.enriquevilamatas.com/obra/l_dublinesca.html.

Abro o livro. Que sorte, um sinal, já que eu também sou Paula: o livro é dedicado a Paula de Parma. Quem é Paula de Parma? Vou descobrir depois (já descobri, é casada com Vila-Matas).

Começamos em maio, nome do primeiro capítulo, ou da primeira parte. Estamos em Barcelona?

Que jeito legal de começar um livro: “Pertence à estirpe cada vez mais rara dos editores cultos, literários”. Quem pertence? Pronto, fui fisgada, estou curiosa, continuo.

É ele, o personagem, ele que pertence, Samuel Riba. Fanático por literatura. Teve uma editora que fechou. Lê a vida como um texto literário. Completará logo 60 anos e está aflito. Talvez ele se sinta um peixe fora d’água, como eu também me sinto – acabo de completar 50.  Ele visita os pais. Sente-se decadente, caindo cada vez mais. Mas parou de beber. Foi a Lyon e precisa contar a viagem aos pais. Foi falar sobre dificuldades na edição de obras literárias na Europa. Como ninguém o tivesse recepcionado, resolveu se fechar no quarto e lá redigiu uma teoria geral do romance cujos elementos são: “intertextualidade; conexões com a alta poesia; consciência de uma paisagem moral em ruínas; ligeira superioridade do estilo sobre a trama; a escrita vista como um relógio que avança” (p. 15).

Depois,  livrou-se da teoria e chegou à conclusão de que só a escreveu para dela se libertar. Ele não conta nada disso aos pais, que esperam o relato de uma viagem como deve ser: pessoas que  encontrou, lugares que visitou.  Não pode contar nada disso porque ficou na frente do computador e não viu ninguém.

Como editor, está frustrado por nunca ter encontrado aquele autor genial. Agora paro. Eu sou a autora genial à procura de um editor que me ache genial. Está na hora de escrever  uma   outra história, a minha história. Amanhã continuo a leitura pública de Dublinesca.

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