Vi Gerard Depardieu no Théâtre Antoine

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Quando fui ao Théâtre Antoine assistir “Love Letters”, com Gerard Depardieu e Anouk Aimée, em Paris, não sabia quem tinha sido André Antoine.

Depois, pesquisando, descobri que ele criou o Théâtre Libre e foi um dos que impulsionou, modernizando, a cena teatral parisiense.

Seu palco proporcionou à cidade apresentações originalíssimas por volta de entre 1890 e 1990 (http://www.theatre-antoine.com/theatre/historique.html).

“Love Letters” é peça escrita por A.R. Gurney. Os atores leem cartas e reflexões de personagens. É como se fosse um romance epistolar. Ficam sentados e as cartas estão sobre a mesa. Às vezes, olham-se. Mas, basicamente, leem.

Anouk Aimée estava de vermelho. Gosto dessa atriz que já esteve em filmes de Fellini (“A doce vida”, “8 1/2”), e que contracena com Jean Louis Trintignant em “Um homem, uma mulher”, filme que me marcou bastante.

E Gerard Depardieu é um autor maravilhoso. Ele prende a atenção e fascina o público.

Eu não falo e não entendo bem o francês falado. Não sei se isso foi um problema ou não, na verdade.

Estando em Paris, pensei que era até um alívio não entender a língua, assim pude me concentrar só em ver.

Ver Paris, ver as pessoas andando, os doces maravilhosos nas vitrines, olhar mapas, placas com nomes de ruas, vistas panorâmicas, esculturas, monumentos, foi mais do que suficiente.

Se eu precisasse conversar, seria demais e talvez eu até me desencantasse.

Quando vou a um país em que falam inglês, acabo cansada porque quero entender tudo e às vezes isso não é possível.

No teatro, uma senhora me perguntou algo e eu respondi “Je ne parle pas français”, uma das frases que sei.

Ela me pediu desculpas e na hora nem pensei se ela não estaria achando estranho o fato de eu estar disposta a passar duas horas ouvindo leitura de cartas em uma língua que não compreendo.

Provavelmente, ela adora Gerard Depardieu e compartilhamos esse gosto.

No restaurante “Bel Canto”, cantava-se ópera entre as refeições e havia alguns discursos intermediários, também. Não entendi nada. Foi ótimo. Só comi, ouvi a música, brindei junto com eles.

Percebi que as preleções eram interessantes, porque eles riam. Cantaram parabéns a você para uns três aniversariantes e o clima estava ótimo.

Quando necessário, eu falava inglês e eles falavam inglês. Um dia, pedi para um senhor no museu tirar uma foto nossa e ele fez que não entendeu e fiz o sinal “tirar uma foto” com as mãos e ele ficou super feliz em atender.

E assim foi.

Percebo que a palavra, em alguns momentos, não é tão importante. Hoje as imagens e sensações são muito fortes na comunicação. Conseguimos entender o metrô a partir de mapas e, sabendo o que significa “sortie”, é possível sair dos lugares, o que pode ser melhor do que entrar.

No teatro, estive em uma plateia nada turística. Alegres e bem vestidas, as pessoas estavam desfrutando um momento bom. A senhora que indicou nosso lugar insistiu em algo que não compreendi absolutamente.

Ela queria que eu fizesse alguma coisa e eu não sabia o que era. Aí ela falou: “tip, tip”. E então me veio que eu precisava dar uma gorjeta a ela, o que não é comum, aqui no Brasil. E eu lhe dei umas moedas e ela achou bom. Aí reparei que todos já chegavam com suas bolsas de moedas preparadas e davam algumas para quem tinha orientado o caminho até os lugares marcados.

Encantada com Paris, fui ao Masp ver a exposição “Passagens por Paris” (http://masp.art.br).

As pinturas de Renoir que o Masp tem são lindas, as mais bonitas que já vi dele, na verdade. Uma das esculturas de bronze da bailarina de Degas está lá, também. Vi no Museu de Orsay e vi no Masp.

Há várias espalhadas por museus no mundo e a bailarina original, em cera, está em Washington.

“Love Letters” foi escrita por um escritor americano.

Por que será que não traduziram o título para o francês? Achei curioso esse respeito ao título da peça diante da densidade do francês que ouvi.

Era tão discursivo, musical, tradicional.

Talvez perfeito.

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Uma resposta to “Vi Gerard Depardieu no Théâtre Antoine”

  1. Fernanda Guimarães Pateo Says:

    Paris…não precisa entender, é só sentar em algum lugar e olhar… é Paris!

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