Jorge Amado

“Dona Flor e seus dois maridos” é minha primeira lembrança de Jorge Amado. Não o livro, mas o  filme de Bruno Barreto (1976).

Sônia Braga no cinema, José Wilker jovem desfilando na minha memória, Mauro Mendonça como o  segundo marido.

Eu era jovem para entender os costumes que o filme transformava, mas lembro que meus pais gostaram bastante, comentaram muito.

E a música, “O que será” (do Chico), fez sucesso.  A música foi composta em três versões: Abertura, À flor da pele, À flor da terra . Os adultos ficavam se perguntando, o que será que é o que será? É porque  a ditadura e a censura estavam por ali e as palavras e frases  podiam ter significados diversos. E que o que será era, mesmo, uma pergunta. Sem resposta. Ou cada imaginava uma resposta.

E, na mesma época, tinha Sônia Braga na TV, em Gabriela. E Gal Costa cantando Gabrieeeela.

Todas essas cenas,  histórias e canções, quebraram regras e tabus.

Mas chorar, mesmo, com Jorge Amado, foi quando li Capitães de Areia.

Tenho a coleção dos livros de Jorge Amado em vermelho (Livraria Martins Editora), era da minha mãe. Os livros estão em ordem. Abri “Mar morto” outro dia e a tempestade colou em mim. Começa assim:

Aí  surgiu da memória minha passagem pela Fundação Jorge Amado, em Salvador. Lá, tirei fotografias dos livros expostos.

Jorge Amado, grande escritor brasileiro, foi traduzido em  49  línguas. Eu nem sabia que existiam tantas línguas. Por que a gente não fala mais de Jorge Amado?

É porque ele é como se fosse a gente, deve ser por isso. Só isso justifica a gente não falar mais e sempre de Jorge Amado.

Hoje, Jorge Amado é publicado pela Companhia das Letras. Os livros estão bonitos e renovados, atualizados. Não o texto, que é o mesmo, mas a cor, o cheiro, o formato, são novos.

Os livros reeditados são livros novos, por isso dá vontade de tê-los todos, mesmo que o escrito seja exatamente igual. Tenho várias edições de Lolita, de  O Grande Gatsby, de Em busca do tempo perdido,  cada  uma em um lugar da casa. Às vezes penso que poderia dar um ou outro livro, mas desisto, porque gosto de ver as capas diferentes. Livros existem para serem vistos, também.

Vou ler Dona Flor na minha edição vermelha, que não adota o acordo ortográfico, de jeito nenhum. Ainda não tenho a edição nova. Quem sabe.

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Uma resposta to “Jorge Amado”

  1. Fernanda Pateo Says:

    Gostei. Dá vontade de ler/reler todos os livros de Jorge Amado o quanto antes.

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