Nove tiros em Chef Lidu (início do romance policial que escrevi, ainda não publicado)

Você deve ter ouvido falar de Chef Lidu. Aquele da Brasserie Lidu. Cozinha francesa. Também consta que pesquisava gastronomia molecular. Caviar de abóbora. Gelatina quente.

O restaurante ficava nos Jardins, em São Paulo. Perto da Rua Augusta.

Acabou. A mulher do Chef,  Darlene, ainda tentou manter um tempo,  não conseguiu. Ele tinha estilo, só ele tinha estilo. Conhecia os detalhes todos. Podia servir arroz com feijão e os clientes pediam mais. Claro que ele não servia arroz e feijão. Servia  le coq au vin. Poulet frites. French fries.

Chef Lidu estudava gastronomia para, quem sabe, mudar alguma coisa no restô. Ou mudar tudo. Ele tinha dúvidas.

Alguma transformação já começava, devagar, como a contratação do cozinheiro espanhol, por exemplo. Discípulo de Ferran Adrià (depois se descobriu que era mentira).

Chef Lidu pensava até em formigas no cardápio.

Chef Lidu era inquieto. Disseram também que gostava (pessoalmente) de uma boa macarronada. Era o que comia à noite, quando chegava em casa (se bem que seus hábitos estivessem mudando). Isso antes de Monalisa. Depois de Monalisa,  mudou o regime alimentar. Aí, só sopa de tomates.

Hábitos alimentares de um chefe de cozinha assassinado nunca interessaram tanto os curiosos. A imprensa explorou esse aspecto da história toda.

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