Literatura na internet

Estou aqui com “A questão dos livros”, de Robert Darnton, Companhia das Letras, 2010, traduzido por Daniel Pellizzari. Antes de comentar o livro, faço referência ao tradutor, que aparece no twitter como @cabrapreta, com mais de 1300 seguidores (ele não segue ninguém). Não sei dizer em que medida o estilo do tradutor interfere no estido do escritor traduzido, mas o livro me pareceu bem escrito, em um primeiro olhar.
O assunto é a digitalização dos livros. A grande indagação que surge quando se leva a sério a digitalização de escritos é aquela referente às possibilidades de acesso aos arquivos.
No caderno Sabático do Estado de São Paulo de de 13 de março, publicou-se entrevista de Umberto Eco por Ubiratan Brasil, sob o título: “Eletrônicos duram 10 anos, livros, 5 séculos”. No mesmo Sabático, Lúcia Guimarães escreveu “Biblioteca de NY, Refúgio na crise”. Ela conta que o espaço de cultura em Manhattan recebeu 40 milhões de visitas em 2009 ( NY tem 8 milhões de habitantes).
Lúcia entrevistou Paul Le Clerc, “um dos personagens centrais da transformação digital de arquivos na passagem dos séculos”, sobre a digitalização do acervo, e o texto termina com a seguinte fala: “Há cinco mil anos não inventam lugar melhor do que a biblioteca para democratizar o acesso ao conhecimento”.
Robert Darnton vai mais longe. Nos ensaios que compõem o livro, enfrenta a instabilidade da informação, fala muito sobre o google, sobre o Google Book Search, sobre direitos autorais, sobre e-book, sobre internet. Ele é diretor da Biblioteca da Universidade Harvard.
Ao mesmo tempo em que folheio o livro penso que uma das mais antigas e tradicionais bibliotecas do Brasil, a da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, está em apuros. Seus livros foram transportados em caixas para outro prédio, considerou-se que estavam guardados de maneira inadequada e, proposta ação pelo Ministério Público Federal, o Poder Judiciário determinou retorno das edições ao prédio histórico (O Estado de São Paulo, 7 de maio – http://bit.ly/cBq5A5 ).
Pois é. Os tempos mudam, as faculdades querem se modernizar, ter mais alunos, os livros ocupam espaço, alguns ficam fechados por anos e anos sem um leitor sequer, passam a incomodar. Antigamente era um luxo ter uma biblioteca grande, organizada. Será que chegaremos a queimar livros, como em Fahrenheit 451?

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