Jorge Edwards na Flip

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A Flip este ano convidou o escritor chileno Jorge Edwards para uma das mesas. A Cosac Naify publicou no Brasil, agora em 2014, seu “A origem do mundo”, lançado em 1996 (El origen del mundo).
Conheci a literatura de Jorge Edwards no Chile, quando visitei as casas de Pablo Neruda (La Chascona e La Sebastiana); lá vi seus livros e comprei dois: “Adiós, poeta…”e “El Anfitrión”.

Eu me afeiçoei à figura de Jorge Edwards, amigo de Pablo Neruda.

“Adiós, poeta…” é um livro meio autobiográfico que gira em torno de Pablo Neruda e escritores latino-americanos. Fala de estilos literários, de Cortázar, Paris, diplomacia, Cuba, comunismo, intelectuais e esquerda. Edwards fala muito de política, sobre experiências compreendidas no contexto de quem viveu intensamente a transição das democracias para as ditaduras na América Latina.

Pablo Neruda é um autor da minha formação literária. Embora seus poemas sejam bonitos, foi “Confesso que Vivi” que me pegou.

Há outro autor chileno (nascido na Argentina) de quem gosto mais. Gosto tanto que pouco falo nele: Ariel Dorfman. Adoro “Uma vida em trânsito” e “O longo adeus a Pinochet”. Aliás, o título do último lembra “O longo Adeus”, de Raymond Chandler, outro autor preferido.

Voltando a Jorge Edwards, Neruda conta, em “Confesso que vivi”, que o chamou para trabalhar na embaixada em Paris, depois que ele, Edwards, teve problemas trabalhando em Havana. Neruda refere-se a Edwards como seu melhor companheiro e funcionário no período, politicamente impecável.

Não fui à Flip e não ouvi Jorge Edwards. O romance agora lançado pela Cosac Naify em 2014 deve ter sido comentado no painel, mas também não li.

A vinda do autor ao Brasil me levou às lembranças que tenho de Pablo Neruda e de suas casas maravilhosas no Chile, levou-me a Ariel Dorfman. E levou-me aos livros do próprio Edwards.

Em “El Anfitrión”, o narrador é um chileno exilado em Berlim depois de 1973. Vive na Alemanha oriental, mas conhece um homem que o conduz a uma aventura na parte ocidental, aventura fantástica e inquietante. A história lida com os fantasmas do Chile, outra vez.

Ao escrever este texto, fiquei curiosa para saber quais os sentimentos de Ariel Dorfman por Pablo Neruda. Pesquisando na internet, descobri esse artigo recente (12 de julho) publicado em O Estado de São Paulo, escrito pelo próprio Ariel Dorfman: “Vozes de lá e de cá”. Vale a pena ler. Ele admirava muito Pablo Neruda.
http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,vozes-de-la-e-de-ca,1527320.

Voltando a Jorge Edwards e sua viagem em “El Anfitrión”, notei que é interessante ler o livro muito tempo depois de escrito e com distanciamento.

A reflexão não se dá só em torno de exílio e de um mundo dividido entre ocidente e oriente, mas em torno das fronteiras e limites entre culturas, nações, realidade e ficção, e, sobretudo, em torno da individualidade irônica no meio de tudo isso.

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